Certas palavras para combater incertezas
deve ser... sei lá!
sábado, 4 de abril de 2026
NÃO TEM COMO PARAR
quarta-feira, 30 de abril de 2025
TCHAU, RITA. BEM-VINDO, VENVANSE.
Há um tempo meu corpo vem reclamando de algumas coisas. Do cigarro, do peso, do tratamento mal feito que eu tenho seguido para o TDAH. Como assim tratamento mal feito? Vou explicar. Há anos eu estava me tratando com uma neuro. O consultório dela era deveras longe da minha casa (pra não falar que ficava na olhota do Recreio dos Bandeirantes). E consultório longe não é nada convidativo, né? Mas eu ia. Só que, um belo dia, ao ligar para marcar a consulta, fui informada que ela não aceitaria mais nenhum plano de saúde (e que se foda os pacientes antigos). Fiquei puta, mas falei: vou procurar outro neuro.
DU-VI-DO
vocês acertarem o que aconteceu?
Pois
é. Quase 10 anos depois, eu continuava tomando meu medicamento controlado, autoprescrito.
Comprando no mercado clandestino dos medicamentos controlados. Sem horário. Sem
rotina. Sem educação.
Só
que meu corpo reclamou. Enxaqueca absurda e frequente, dor no maxilar, coração
eternamente acelerado. Irritabilidade e agressividade na ponta de uma resposta
torta. Zero tolerância pra tudo: frustração, cansaço, pessoas...
Eu
sabia que era do remédio. E sabia que a Rita, que há muito me acompanhava nessa
minha vida louca, ultimamente, estava me fazendo mais mal do que bem. Picos muito
fortes e rebotes muito intensos. Zero equilíbrio.
Então,
finalmente, coloquei ação e concluí uma das metas inacabadas: encontrei uma neuropsiquiatra.
Eu
sempre tive medo de tomar Venvanse. Tava acostumada com a Rita, já tinha meus
horários bem definidos com ela. Sabia que podia tomar um comprimido a mais,
caso precisasse estender meu horário de trabalho. Sabia que podia não tomar, caso
não tivesse disponível. Sabia que o preço era acessível.
E
qual foi a primeira coisa que a médica fez? Sim, ela trocou a Rita pelo Venvanse.
Lisvenx, pra ser mais exata. Primo do Venva.
Sabe
qual é o meu único arrependimento? Não ter ido ao médico antes. Que sensação
maravilhosa essa tal de linearidade. Que sensação incrível é não passar o dia
inteiro dormindo um cadinho e acordando. Que sensação incrível essa de dormir de
verdade à noite e acordar bem. Produtividade fluindo da maneira que deve ser
para um adulto funcional.
Eu
sei que remédio não faz milagre. Mas olha... to quase canonizando o Venvanse. E
a Risperidona também. Ela também tem seu valor.
Tratamento
de TDAH é coisa séria. Se você não consegue sozinho, peça ajuda. Converse com
os seus. Mas faça. Trate. Cuide.
Agora
vou lá terminar meu trabalho porque tenho hora pra tomar a Risperidona e,
depois dela, mais ninguém.
Beijos
da Luda
(AUTOMEDICAÇÃO NÃO É LEGAL. ESTE POST NÃO É PROPAGANDA DE REMÉDIO. SÃO IMPRESSÕES DE UMA NEURODIVERGENTE DESCOBRINDO QUE A VIDA NÃO PRECISA SER TÃO DOLOROSA)
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
TDAH E FRUSTRAÇÃO
Hoje
em dia, percebo um aumento significativo nas pessoas que alegam ter TDAH. Não
desacredito, óbvio. Bem como não entendo o “orgulho” de verbalizar para o mundo
que tem TDAH.
TDAH
é um transtorno extremamente difícil. Em vários aspectos. A dificuldade de
lidar com diversas coisas é tão latente, que me faz, de fato, questionar se as
pessoas entendem o que é o TDAH.
Mas
hoje vou falar da frustração, que, honestamente, é a parte mais difícil para
mim.
Essa
semana, por algum motivo que desconheço, derrubei uma panela inteira de feijão
no chão. Meio quilo de feijão fresquinho, ainda morno, desperdiçado.
Não
sei se foi macumba, se foi minha coordenação motora um tanto quanto falha. Só
sei que CATAPLOF. Feijão pra tudo que é lado. E quando digo isso, estou
falando de feijão nas paredes da sala, debaixo da geladeira, dentro do freezer –
que estava fechado – e no meu corpo todo. Um banho de feijão, literalmente.
Para
uma pessoa neurotípica – pessoas neurotípicas são aquelas que não tem quaisquer
transtornos como TDAH, TEA... – derrubar o feijão seria apenas cansativo e
irritante. Você desperdiçou o feijão e ainda vai ter que limpar tudo, certo? Pois
é. Quer saber como foi para mim? Uma pessoa com TDAH? Vou tentar descrever.
Sabe
quando você tá correndo na praia, areia muito fofa e muito quente e falta muito
pra você chegar na calçada? Então... mistura isso com aquela vontade de fazer xixi
que chega a doer a bexiga no momento que você não encontra a chave de casa.
Agora pega esses dois aí e coloca junto com aquele pernilongo que pica a cabeça
do seu dedo mindinho às 4 da manhã. Depois que você misturou tudo, insere a
sensação de ter perdido seu celular. Ah! E também a sensação de uma crise alérgica
muito forte, que deixa o seu corpo todo coçando.
A frustração, EM MIM, uma pessoa com TDAH, é simplesmente exaustiva. A parte mais difícil de lidar. Ela me tira todas as forças para viver. Eu preciso de muito tempo para me regular. Para voltar a raciocinar. Para deixar de sentir uma dor que nem tudo isso que eu citei acima descreve com exatidão. A frustração, dependendo da situação, me deixa agressiva, introspectiva, deprimida, dolorida. Totalmente desregulada. Cansada. Exausta.
Mas Lud, foi só um feijão?
Para
muitos, sim. Para mim, não foi.
Foi o
rótulo de desastrada. Foram as críticas vitalícias a respeito da forma como eu
faço as coisas. Foi o cansaço de ter que faxinar a cozinha que a minha namorada
tinha acabado de faxinar. Foi a autocrítica. Foi o desperdício de comida. Foi a
sensação de que eu realmente não sei fazer nada direito.
Hoje,
no auge dos meus 42 anos, entendo que preciso me regular. Entendo que não posso
passar o resto da vida deitada na cama, vendo série pra desopilar.
O
que eu fiz?
Falei
pra Sil que não precisava me ajudar. Eu queria fazer sozinha, como num ritual
de auto perdão e autocompreensão. Coloquei The Big Bang Theory no celular. E fui, lentamente,
catando, jogando água, me perdoando, me aceitando.
Limpei
todos os cantos que consegui ver, porque já eram quase 3h da madrugada.
Limpei
toda a geladeira, incluindo o freezer. Tirei cada peça, passei água, detergente
e bactericida.
Terminei.
Sentei no sofá da sala, joguei uma partida de xadrez fumando um cigarro. Fui
dormir e pensei:
POIS
É. AMANHÃ VOU TER QUE FAZER FEIJÃO.
Consegui
me regular?
Não.
Mas
sobrevivi.
E já
vou botar o feijão de molho.
domingo, 19 de janeiro de 2025
ESTE NÃO É UM VÍDEO DIVERTIDO DE 30 SEGUNDOS
Percebo que, hoje em dia, as pessoas não se acanham ao dizer
"não gostam de pessoas". A frase vem sempre vinculada a um sorriso
cheio de orgulho.
Eu mesma já verbalizei esse sentimento diversas vezes.
Você já parou pra pensar que isso pode estar diretamente atrelado ao fato de que seu cérebro está virando uma massa com utilidade limitada porque a convivência humana que não te oferece uma catarse, uma enxurrada de dopamina a cada 15 / 30 / 90 segundos?
A dopamina é um neurotransmissor responsável por levar informações para várias partes do corpo e, quando é liberado provoca a sensação de prazer e aumenta a motivação. Essa parte eu pesquisei no Google. Mas a partir de agora eu tirei a opinião de dentro do meu orifício anal, ok? Nem precisa ler se não quiser.
Beleza, se liga no raciocínio.
Um filme tem, em média, 2hs de duração, certo? Durante um filme, você cria expectativa de que algo vá acontecer. E acontece. Uma, duas, três coisas. No máximo. Exageremos, pra ilustrar. 10 coisas. Num filme de 2 horas de duração, 10 coisas acontecem. Essas coisas aumentam a sua dopamina, tá?
Quantos 30 segundos cabem dentro de um filme? 240.
Isso mesmo que você leu. 240.
Ou seja, se você passar duas horas vendo vídeos de 30 segundos, sua dopamina vai aumentar 240 vezes.
Dá pra comparar com um filme? É o mesmo tempo, mas não dá.
Se isso que eu falei está certo ou não, eu não sei. Não
tenho embasamento científico para comprovar a veracidade das minhas palavras. O
embasamento que eu tenho é pessoal. Experimental. Intransferível.
Demorei para entender. Demorei para aceitar que as redes sociais estavam destruindo justamente uma característica minha que sempre foi tão aflorada: a sociabilidade.
Crises contínuas de ansiedade. Depressão. Insônia num dia, excesso de sono no outro. Baixa tolerância a frustração. Uma tristeza profunda. Medo de sair de casa. Medo de encontrar com as pessoas, de passear. Medo.
Coisas que só amenizavam, um pouco, com aquele meme engraçado ou com vídeos de pessoas levando susto.
Demorei pra enxergar, mas enxerguei.
E to me libertando.
Este não é um vídeo divertido de 30 segundos.
sexta-feira, 15 de novembro de 2024
CARTA PARA NALA
Oi, Naleta.
Quarta fez uma semana que você se foi. Hoje acordei sentindo
uma saudade esmagadora no meu peito. Fui lá no canil ver seu irmão, mas ele ainda
tá com dificuldades para comer. Vou levar ele na tia vet.
Ele fica o tempo todo deitado no mesmo lugar que você dormiu
pela última vez. É, filha... ele tá com muita saudade de você.
Sabe filha, eu to naquela fase em que eu to me perguntando
se eu poderia ter feito alguma coisa. Por que você não chorou? Não latiu? Não
me chamou? Você só deitou e dormiu, filha. A mamãe ainda tá muito confusa e
sentindo uma dor do tamanho do mundo.
Eu quero que você saiba, filha, que eu te amei intensamente.
Você era sim minha filha. Você é. E sempre vai ser.
Eu espero, de coração, que você esteja bem. Que esteja
feliz, brincando com a sua irmã Pérola e com “suplimo” Huffos.
Ainda não acredito que vocês dois se foram.
Por enquanto, filha, eu ainda não consigo sequer pensar em você
sem chorar. Essa ferida ainda tá sangrando. Eu to tentando ficar de boa, você sabe
como eu sou. Não sou de falar dessas coisas. Mas confesso pra você que tem sido
bem difícil.
Amo você. E sinto sua falta. Todos os dias.
domingo, 8 de setembro de 2024
A GRANDE ENGENHEIRA DAS OBRAS INACABADAS
sexta-feira, 16 de agosto de 2024
ATOTÔ
Fé,
pra mim, sempre foi um tema bem complicado. Complicado no sentido de acreditar
mesmo. Fui criada em escola católica, década de 80, aprendendo que Deus punia
aqueles que não faziam exatamente o que Ele queria. Me apresentaram um Deus quase
odioso, meio raivoso, que, segundo eles, pregava que tínhamos o tal do "livre
arbítrio", mas que de livre não tinha nada porque, se o caminho que você
escolhesse fosse desaprovado por Deus, você iria sofrer na eternidade do fogo
do Inferno.
Diziam também que esse mesmo Deus era amor e que tudo acontecia por vontade dele. E isso me assustava ainda mais. Como poderia Deus, onipotente, onipresente, onisciente, ver um filho sofrendo as mazelas da vida e permitir que isso acontecesse, se, também segundo os detentores da sabedoria divina, depois que morrêssemos, ficaríamos ao lado dele para todo sempre apenas se fôssemos merecedores? Merecedores? Como? Como se conquistava esse merecimento? Não era claro. Eu não entendia.
Mas eu cresci. Assim como minha consciência de mundo. E entendi que o Deus a quem se referiam não passava de um reflexo das crenças interiores de cada uma dessas pessoas. Entendi que o Deus cristão era diferente do que diziam que era. E também entendi que eu não cabia dentro da fé cristã, talvez de forma inconsciente porque nunca, de fato, parei para refletir a respeito de religiões e fé.
E foi lá pelos meus vinte e bem poucos anos conheci o espiritismo e suas variantes.
E, pra mim, tudo começou a fazer sentido. O quebra-cabeça das dúvidas começou a se encaixar.
Hoje, eu profiro minha fé das mais variadas maneiras. Eu rezo, canto, entoo mantras, jogo pro universo, emano raios, visualizo...
Mas é ELE, meu pai, quem me arrepia a alma. É ele que faz meu corpo estremecer, minhas pernas desobedecerem e me faz, inconscientemente, dançar.
É
meu pai, meu protetor, meu grande amigo, meu alento nas horas de desespero e
meu companheiro nas horas felizes.
Eu entendi minha fé e, hoje, estou em paz com ela. Hoje sei que minha fé vai muito além do clichê "fé é acreditar no que não se vê". Entendi que fé também requer maturidade. Entendi que fé é particular, encantada, serena e perene.
Hoje é dia de Atotô. Atotô quer dizer silêncio. Hoje é dia de silenciar a alma pra ouvir o coração. Porque foi lá que Jagun fez sua morada e é de lá que Jagun me mostra o caminho certo. Atotô quer dizer silêncio. Porque, quando você se cala, fica mais fácil de ouvir.
Atotô
ajuberô.
Awure.
NÃO TEM COMO PARAR
Ando descobrindo muitas coisas nessa tal de vida adulta. Que é difícil, todo mundo sabe. Mas pra uma pessoa neurodivergente o troço se embol...
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