domingo, 7 de maio de 2017

Eu sou chata, azeda, exigente. Gosto de regras. Aliás, preciso delas. Isso não significa que eu não as quebre vez ou outra. Me perco com muito barulho, na verdade, nem gosto de barulho. Prefiro ficar em casa com amigos do que na rua. Tenho pavor de morrer. Sou grossa, choro por qualquer motivo e não sei discutir. Se você me perguntar o que eu penso, vou dizer sem medo, porque acredito que, se você não quisesse saber a verdade, não me perguntaria. Sei bem a diferença entre falar na cara e ser grosseira. Meu tom de voz não ajuda quando tento ser delicada, por esse motivo, capricho na escolha das palavras. Falo palavrão pra caralho. Quando estou estranha, me afasto de todos. Falo pra cacete, quero abraçar o mundo com as pernas. Sou meio metida. Na verdade, sou Leonina pra cacete, com toques de Canceriana. Quando estou errada, reconheço e peço desculpas. Às vezes demora porque sou meio analítica. Quando estou certa, estou certa e dificilmente vou mudar de opinião. E pode ter certeza de que vou ser extremamente insistente para ser compreendida. Falo da minha vida demais. Sou super cabeça pra umas coisas e extremamente flexível pra outras. Não tenho medo de mudar de opinião se for para o meu crescimento. Quando enfrento uma situação difícil, em qualquer aspecto da vida, olho para todos os lados, penso em todas as hipóteses, vejo o meu lado, o seu e o de todos. Geralmente me calo para não brigar porque  o que eu acredito me basta. Peço desculpas sem medo, mas não sou boa em praticar o perdão quando algo me magoa de verdade. Fico indignada e puta da vida com injustiça. Não sou de briga, mas tem épocas que sou a discórdia em pessoa. Gosto de aprender e, por mais que pareça que eu não estou me importando, eu estou. Me importo com o sentimento dos outros, mas não com o que vão falar. Odeio que falem inverdades sobre mim, o que geralmente acontece. Minha mãe e meu pai são as coisas mais importantes e imprescindíveis da minha vida. Uma é meu colo. O outro é meu super-herói e meu porto seguro de racionalidade. Meu coração já foi um vagabundo, mas hoje sou extremamente feliz e completa com o meu casamento.Tenho fama de mentirosa vinda de pessoas para quem nunca menti. Aliás, dificilmente eu minto. A não ser que eu esteja atrasada pra te encontrar. Aí vou dizer que estou chegando, mas na verdade provavelmente nem tomei banho ainda. Sou péssima com horário. Não sei falar de sentimentos a não ser escrevendo. Odeio que fiquem me pegando, abraçando e me encostando. Não gosto que falem muito perto de mim. Se você me magoar, vou falar com você, mas no meu tempo. Às vezes demora um dia, às vezes um ano e, na maioria das vezes, nunca mais. Não perdoo ninguém duas vezes. Sou muito rancorosa e vou jogar seu erro na sua cara sempre que eu achar necessário. Sou bagunceira ao extremo e não me encontro na minha bagunça. Quando tô em crise, gosto de arrumar meu armário, já que não consigo arrumar minha bagunça interna. Perco tudo, mas geralmente acho. Não me dou bem com as minhas chaves. Quero adotar todos os cachorros que vejo na rua. Sou flamengo, gosto do flumimense, mas não me ligo mais e m futebol. Não sou muito fã de comprar roupas pra mim mesma. Amo aparelhos eletrônicos. Adoro fazer compras no supermercado. Não vivo sem café. Tem épocas que sou noturna, outras sou diurna. Durmo uma hora e me sinto renovada. Gosto de cochilar. Sou muito egoísta pra umas coisas e altruísta demais pra outras. Toda vez que fico extremamente nervosa, eu durmo. Não penso quando estou com raiva. Dificilmente sinto raiva. Não entendo meias verdades, não entendo deslealdade e não aceito mentira. Falsidade não me incomoda porque lido bem com pessoas falsas. Mentira me tira do sério. Mentira com o meu nome me tira do meu prumo, mas mentira com o nome de quem eu amo me faz perder a cabeça de verdade. Sou leal como um cachorro de mendigo. Não gosto que me digam uma coisa que não posso contar pra fulano. Fatalmente irei contar sem querer. Sou desajeitada, não sei cozinhar, apesar de ter aprendido a cortar cebola como no MasterChef. Amo meu trabalho, sou muito feliz com a minha vida. Me sinto bem demais quando faço todo mundo rir. Perco o amigo, mas não perco a piada. O único problema da minha vida é o meu desequilíbrio financeiro. Amo minha família, mas não sou de procurar muito. Ligo pra você às quatro da tarde de uma quarta-feira, mesmo se não falar com você há dez anos. Tenho poucos e bons amigos e faço questão de falar com eles, pelo menos, uma vez por semana. Odeio whatsapp. Começo a conversar por lá, mas em cinco minutos seu telefone vai tocar. Começo um projeto e sempre largo pela metade. Parei de fumar, voltei e to querendo parar de novo. Estou tomando coragem para fazer uma cirurgia bariátrica. Sou do Candomblé, mas tenho medo de espíritos. Fiquei estéril quando estava tentando engravidar. Fiquei sem chão por causa disso. Minha maior frustração foi não ter feito medicina. Tenho mágoas que não consigo superar. Vira e mexe reviro meu passado para tentar analisar minhas mágoas por outro prisma. Sem sucesso até hoje. 

Ah, insônia...

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Oi, tudo bem?
Decidi te escrever porque definitivamente me expresso melhor com palavras escritas. As palavras faladas muitas vezes são minhas inimigas porque, por mais que elas sejam cobertas de plumas, o tom que minha voz as profere transforma essas plumas em espetos super afiados. E na maioria das vezes sem a minha autorização.
Bom, é difícil demais resumir em um texto tudo que eu sinto. Acho, inclusive, que descobri a origem de muitas das minhas características. Não que eu esteja te culpando, longe disso. Estou apenas enrolando para começar, de fato, a falar.
Um dos piores sentimentos que podemos ter em nossas vidas é lutar, incessantemente, pelo amor e aprovação de alguém. E isso se agrava quando notamos que nossa luta, na grande maioria das vezes, é em vão. Não há contra o que lutar. Desde quando formiga encara gigante?
Formiga é até um exagero perto de como muitas vezes me senti. Mas isso também não é culpa sua. Com o passar do tempo, aprendi que somos responsáveis pela influência que permitimos que o outro tenha em nossas vidas. Mesmo quando somos geneticamente programados para amar essa pessoa. Amor não significa submissão. Amor, ao meu ver, é algo que te liberta. Liberdade essa que me é privada diariamente, mensalmente, anualmente. Meu amor não se resume a encontros vazios em lugares lotados. Minha admiração não se resume a ter, e sim a ser.
Eu detesto mendigar atenção. Detesto migalhas, restos, restrições. Eu gosto de tudo vermelho, amarelo sol. Gosto de reinar, embora saiba também dividir o meu trono. Príncipe e princesa. A plebeia deu foi sorte de chegar sorrateiramente e aproveitar dos pontos fracos da herdeira do trono para se estabelecer como futura rainha.
É, eu to divagando. Viajando. Surtando. Ou qualquer outro “ando” que diga pra você como eu estou.
Sou incapaz de resistir. E nunca soube sucumbir. Nossa, to até rimando verbo pra tentar te dizer que eu to cansada de verdade de não ser sua prioridade, seu primeiro pensamento.

Aprendi que “quem sai aos seus não degenera”. E por que estou degenerando? Por que preciso mostrar mais que todos que sou merecedora de um mero “oi”?
Não entendo. E gostaria verdadeiramente de entender. Gostaria verdadeiramente de saber meu pecado para buscar a oração correta. Porque tento ser correta para ouvir seus elogios. Tento ser você para ver se você se enxerga em mim.
Nossa, que drama! É muito mais fácil deixar pra lá. Se fosse possível, te juro que deixaria. Se eu conseguisse, te juro que não me importaria. Se eu pudesse, eu juro que te deixava.
Cansei de lutar. Cansei de tentar. Cansei de existir. Sigo no drama, sim, só sei ser desse jeito. Como disse, o bege não me agrada. Me agrada os rompantes. Me agrada me sentir querida. Não quero ser primeiro lugar, mas sonho em não ser a última.


Ah..... Se eu conseguisse te dizer. Se eu conseguisse te mostrar...

domingo, 20 de novembro de 2016

Tudo que eu quero é paz.

Eu busco diariamente viver de uma forma mais branda, mais amena, mais serena. Bege? Não. Serena. Paz e intensidade podem sim ser combinadas. Sou a prova viva disso.

Procuro não magoar as pessoas e, se magoo, porque sou humana e erro, trato de pedir desculpas. Se for possível me perdoar, ótimo. Se não, fica registrado que a magoa que causei ou não foi intencional. Oi foi. E se pedi desculpas é porque, de fato, estou arrependida.

Carrego meus fantasmas sem acusar ninguém pela existência deles. Sei o quanto precisei deles pra aprender alguma coisa nessa vida.

Meus traumas são meus e de mais ninguém. Por mais que haja outros personagens, essa trama pertence a mim e somente a mim. Eu aprendi que me resolver comigo mesma é muito melhor do que buscar culpados para minhas incertezas. Elas sempre existiram e sempre existirão. O que me faz crer que estou no caminho certo é a maneira como lido e aprendo com elas.

Crescer dói. Nossa, como dói. Pode olhar: seus interesses mudaram tanto quanto suas linhas de expressão. Seu rosto carrega todas as suas cicatrizes. Mas o brilho dos seus olhos? Ah... esse não pode mudar!


Reserve um minutinho do seu dia e olhe pra dentro. Se olhe. Enxergue-se.

E não se culpe se não entender nada. Somos uma imensidão de coisas inexplicáveis, sentimentos, sensações, sentidos...

Apenas se olhe.

Apenas. Se. Olhe.

Olhe-se. A si. Pra dentro. De dentro pra fora. Destrua, reconstrua. Refaça o que já existe. A base está lá. Você tem tudo nas mãos. Reencontre-se com o inimigo. O interno, claro. Olhe pra ele e diga: você não me afeta mais. Nunca mais vou permitir que você me diga o que devo fazer, mesmo que eu não saiba. Busque ajuda de quem sabe. Não se sinta menor por não saber. Nem sempre precisamos estar no controle para entender. O controle é um dos maiores fantasmas. Olha ele aí de novo. Fantasmas existem. Dentro e fora da cabeça.


Apenas se olhe.

Apenas. Se. Olhe.

(mais uma noite em claro. mais uma noite sem ritalina. ou litium. mais uma noite sendo eu mesma)

terça-feira, 18 de outubro de 2016

E se torna SAGRADA o que se aprende como FAMÍLIA.

Tenho algumas impressões ao longo dos meus dias. Essas impressões são como percepções da vida que se formam na minha cabeça. Prefiro chamar de impressões porque não as considero verdades absolutas. São apenas impressões. Elas são sempre mutáveis, desde que o prisma como enxergo as situações mudam, se transformam, amadurecem. Outro dia tive uma dessas absorvi uma dessas novas impressões. Vendo algumas fotos, tive a impressão de que saudade nada mais é do que a representação emocional da importância que algo teve na sua vida. E o que trouxe isso à tona foi entrar em contato com pessoas que fizeram parte da minha vida durante a minha infância. Mais especificamente dos anos que estudei na escola que marcou a minha vida pra sempre. Percebi como sinto falta da minha infância. Não de mim quando tinha aquela idade. Sinto falta do tempo, dos dias, da forma como a vida se desenrolava. Sinto falta dos cenários, dos personagens. Sinto falta até da falta de tecnologia. Principalmente. Mas foi essa tecnologia que me permitiu trazer essas lembranças. Hoje as imagens são meio amareladas. Tanto nas fotos, quanto na minha memória. Mas há coisas tão vivas que chego a sentir no tato, no toque, no cheiro e na alma.    ,
                                                                        
Segunda-feira era um alvoroço só. Nada de preguiça, nada de reclamar. Eu gostava mesmo era da segunda-feira. Era hora de reencontrar meus amigos depois do fim de semana. Fazer a fila pra entrar pra sala todo mundo junto, em ordem.
Quando as aulas eram em sala, eu tentava me concentrar. Muito embora a ideia de correr por aqueles pátios imensos me entorpecesse. Mas ao toque do sinal anunciando o recreio, essa ansiedade se transformava em euforia. Era dada a largada para a corrida à cantina.
“Me dá as frentes?”
“Não, te dou as costas.”
Nos dias de hoje, essas seriam frases ditas com uma conotação talvez nunca cogitada por nós. Não na idade que falávamos isso. Mas era assim que a gente furava fila em 1980 e poucos. Ou muitos.
“Seu pastor, me vê um misto e uma coca!”.
A hora da merenda, como costumávamos chamar, era um momento coberto de liberdade. Numa quadra imensa, uns corriam, outros permaneciam sentados nas mesinhas que ficavam perto da horta. Sempre tinha a tia Rosa, a tia Graça, a tia Leila e a Geraldina pra nos espionar... ops, superviosionar.
E quando a aula depois do recreio era de educação física?
Minha nossa, quanta alegria. A vida era realmente uma perfeição só.
O mês de maio era especial. Sabíamos que seria coberto de orações conduzidas pela voz aguda e estridente da Irmã Maristela. Aquele microfone parecia já conhecer o roteiro:

“Consagração À Nossa Senhora
Oh, Minha Senhora, oh minha mãe
Eu me ofereço, toda a vós
E em prova da minha devoção para convosco
Eu vos consagro neste dia
os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração
inteiramente todo meu ser
e por ser assim tão vossa
oh incomparável mãe.
Guardai-me
Defendei-me
Como coisa a própria vossa
Amém”

“Magnifica.
Magnifica.
É o caanto
De aamor
Minhalmen
Grandece
Adeeeus
Meu sal-va-dor...”

"Põe tua mão, na mão do meu Senhor, da Galileia...
Põe tua mão, na mão do meu Senhor que acalma o mar...
Meu Jesus, que cuida de mim, noite e dia sem cessar
Põe tua mão, na mão do meu senhor, que acalma o mar...

VIVA NOSSA SENHORA!

Nos organizávamos em ordem crescente no pátio da frente da escola. A primeira fila, lá perto do palco, era do maternal da Tia Terninha. Todos tivemos o maternal da tia Terninha com aquele vestidinho azul e aquele tapetinho fantástico. A melhor soneca da infância.

Conforme mudávamos de série, mudávamos de localização naquele pátio com chão de azulejos amarelos. Eram quadrados pequenos, mas todos que por ali passaram, mediram seus pés. Todos que "formavam" para cantar o hino nacional, para rezar, para ouvir à Irmã Hermínia, sentia a necessidade de que seu pé ainda coubesse naquele quadradinho.
"Dá um quadrado de espaço pro coleguinha".

O parquinho que antes era o nosso êxtase diário se tornou pequeno demais. Agora usávamos a roupa de gala. Saia de Brim, camisa de botão, emblema da escola no peito. Tudo bege e marrom. Eu, particularmente, sempre troquei a saia pela calça. Nunca gostei.
Uns tocavam na banda marcial. Eu tocava Lira. E sentia um orgulho imenso de vestir aquele uniforme. Outros empunhavam as bandeiras. O desfile de 7 de Setembro na 28 era a sensação do ano. Os ensaios da banda nos sábados de manhã eram sagrados. Nossa, como a vida era boa!

Mas o êxtase mesmo estava na Oitava Série. A famosa série onde você podia ir pra escola de "roupa normal". A entrega dos uniformes. Um ritual. Infelizmente aquele "convite" me negou essa realização. Meu ritual foi na Sétima mesmo. Sem honras, sem emoção. Também pudera. Eu não era lá um exemplo de aluna no que concerne o assunto comportamento. As notas até eram boas, mas de resto... só o tempo pra me ensinar mesmo. E como foi duro deixar. Como foi duro não estar com aquelas pessoas. Acho que foi minha primeira grande separação, minha primeira grande decepção. Minha primeira grande lição!

Hora da chamada. Meu número sempre girava entre o 27 e 32. Mas isso não tem nada a ver com o que estou contando. Eu só lembrei mesmo.

Todo e qualquer evento que tinha na escola era “O evento.” Eu fui Nossa Senhora, eu fui anjo... eu fui atriz, musicista, ajudante da tia Terninha. Eu fui até da parte de esporte do grêmio. MInha chapa se chamava Opção, e o nosso jingle de campanha nunca saiu da minha cabeça. Era uma paródia de Roberto Carlos. É... a gente ouvia Roberto Carlos.

“Vote uniforça, não não.
Vote Opção.
A Opção virou minha cabeça e o meu coração”

A gente não xingava o professor. Você se imagina xingando a tia Hilda ou a Tia Luiza? Tia Beatriz? Tia Aparecida? Tia Andreia? Tia Terninha? O Ricardo Sepe? A Ana Cristina, de matemática? Não tem como. Hoje eu sei que eu não tinha medo deles. Eu descobri que a minha primeira lição de respeito veio deles. De admiração. De carinho.


Muitas das lembranças maravilhosas eu infelizmente não consigo dividir. Não consigo reproduzir. Não consigo desamarelar a ponto de colocar em palavras. Elas são tão minhas! São tão particulares!
São memórias que eu jamais vou conseguir esquecer. Acho que todos os anos da minha vida vão passar, mas eu nunca vou deixar de ser a Ludmilla, aluna do Educandário Sagrada Família. Porque foi exatamente isso que todos se tornaram para mim. Uma Sagrada Família.

Eu estava passando na porta da escola quando vi as cadeiras saindo. Vi um caminhão parado e vi que estavam tirando as carteiras. Não me toquei no momento, mas no instante seguinte a realidade me veio como um pedregulho na cabeça. Como eu poderia conviver com a ideia de que meus filhos nunca vão poder ter contato com a educação que eu tive? Sofri ali, dentro do meu carro. Minhas lágrimas não puderam ser contidas. Aquele era, de fato, o fim da minha história.
Todas as vezes que passo por lá, faço questão de olhar pra dentro. Faço questão de ver o carramanchão, ainda verdinho, perdendo sua cor. Faço questão de ver as paredes perdendo a cor, o chão se desbotando. Como eu fui feliz. Acreditem, eu fui verdadeiramente feliz naquele lugar.

A todos vocês, mestres, alunos, irmãs, aqui fica o meu muito obrigada. Obrigada por me proporcionarem os melhores anos da minha vida. Obrigada por me marcarem a ponto de me fazerem lembrar de cada detalhe, de cada momento que, por ter se tornado tão especial, se tornou também inesquecível.

“A vida é curta. Vivamos com a consciência tranquila e teremos o Céu perto de nós."


terça-feira, 4 de agosto de 2015

Escrevi esse texto pra você.

Nunca lhe disse, de fato, quanto sofri com o fim da nossa amizade. Na verdade, durante anos cutuquei esse ferimento a fim de mantê-lo aberto. Não queria te esquecer.
Entretanto, não há nada que o tempo não cure. E da mesma forma como curou a dor de não tê-lo mais ao meu lado, curou também a sua ausência. Hoje, nem sequer lembro como era ser sua amiga. Nem me lembro da sua voz e de seus conselhos. Lembro, vividamente, das histórias, das risadas. Não guardei o que era ruim. Mas criei uma espécie de escudo contra você. Hoje, me sinto segura pra dizer o quanto te amei e o quanto não te amo mais. O quanto sofri e o quanto não me faz a menor falta. O quanto aprendi e o quanto não quis que essa lição viesse da forma que veio. Preferia que ainda fosse leiga no assunto. E que ainda estivesse aqui.
Mas hoje o vazio de nossa amizade se transformou numa história engraçada.
Separa. A mãe dele.
Vivida por personagens que não existem mais. Eu cresci, você cresceu. Todos cresceram.


E hoje eu senti sua falta. Mas escrevi esse texto, e ela foi embora.
Brigas acontecem. Não existe fórmula perfeita para um casal manter-se eternamente em lua de mel. Um dia um acorda azedo, o outro acorda sem saco.

Tem dias que simplesmente não queremos falar. Tem dia que estamos presos dentro de nós mesmos, solitários e querendo apenas transformar as horas do dia em momentos de produção e aperfeiçoamento individual. Individual. Só um.
Outros dias queremos somar, unir, sorrir. Queremos um colo, um afago, um sexo. E assim a vida segue.

O amor não se constrói em dois dias. Inclusive sinto muito medo de amores que se constroem em dois dias.  Há quem saiba viver construindo e desconstruindo castelos, planos, sonhos. Eu não.

Entramos na era de gerações dos que não consertam, trocam. E a maioria desses relacionamentos fugazes acontecem justamente no momento que as flores murcham. Regar? Não. Vamos na lojinha e compramos outra.

Casamento é flor. É necessário água, carinho e amor. Paciência, por favor. Mais um pouco de paciência para aguentar a lua minguante. Dois seres, dois pensamentos, duas individualidades. Sonhos em comum, e outros nem tanto. Eu sou tradutora, ela quer ser chef. Adequamos os horários. Ela é fluminense, eu sou flamengo, adequamos os xingamentos. Ela é quente, eu também, adequamos nossas brigas.


A vida fica mais fácil quando entendemos que é necessário adequar-se a fim de manter a boa convivência. Brigas? Fato. O que realmente importa é que no fim do dia, no fim da briga, um sorriso ou apenas um olhar te faz sentir o estômago revirar. De felicidade.
Já perceberam como muitas vezes o destino (chame como quiser. Pode chamar de Antônio, não importa, desde que você entenda que estamos tratando daquela estrada invisível por onde percorremos ao longo dessa árdua e dura caminhada chamada vida), sim, o destino trata de nos mostrar, geralmente de forma clara, que estamos esmurrando um cutelo afiadíssimo?
Vai se machucar, pare! Mas não paramos.
Tá certo, tem horas que ele nos mostra de maneira tão turva que nem chegamos a entender que aquilo era um sinal. Passamos direto, seguimos e depois que nos estrepamos com todas as letras dessa palavra velha e horrorosa, olhamos pra trás e pensamos: ahhhhhhh... era aquilo! Agora eu entendi. (e de que adianta entender que vai cair depois que já está com a cara toda arrebentada?)
Independente de como ele nos mostra que não estamos no caminho certo, levanta a mão quem entende, ouve, aceita ou sequer cogita mudar suas vontades, desejos, sonhos, ou sei lá mais o que, simplesmente porque a razão tomou lugar e o coração foi obrigado a se calar?
Batemos de frente. Com qualquer pessoa que nos queira avisar ou alertar. Não enxergamos. Claro que não. Nossas lentes não são capazes, infelizmente, de nos fazer visualizar tudo que pode dar errado. Às vezes um amigo, um colega, um conhecido vê. Dependendo do grau de intimidade, se arrisca a dar pitaco e falar o que pensa (ou não). Mas uma verdade é absoluta: jamais daremos ouvidos para o que eles dizem.
Deixa que digam, que pensem, que falem.
Infelizmente temos a indecência de teimar. Muitas vezes acreditamos piamente que um caminho é seguro, confiamos plenamente que aquela estrada nos levará para o fim de uma tortuosa caminhada em busca de algo que nem sabemos, de fato, o que é. Mas queremos. Almejamos. É isso. Insistimos em não acreditar que o destino nos colocaria numa roubada.
Acredite. Colocou, coloca e colocaria de novo se for para o seu crescimento. Porque na vida há sempre duas escolhas. A linha reta ou o ziguezague. Você opta entre ouvir seu coração ou todos os que estão à sua volta. Principalmente as pessoas que se importam. Há quem se importe, de verdade. O problema é que quando queremos algo, ficamos cegos, surdos e idiotas. E acabamos caindo nas garras de um sentimento chamando: dane-se o mundo, é isso que eu quero e é isso que eu vou fazer.
Deixa que digam, que pensem, que falem.
Repito. Essa máxima é a verdadeira.
Só não me venha depois choramingar. Porque certamente vai ouvir a clássica frase: eu te avisei.




Eu sou chata, azeda, exigente. Gosto de regras. Aliás, preciso delas. Isso não significa que eu não as quebre vez ou outra. Me perco com mu...