quinta-feira, 5 de julho de 2007

Fel

Era cedo ainda. Ela acordou e nada sentia. Apenas uma leve pontada no peito, acompanhada da maior angustia que já sentira na vida. Mas havia se acostumado a essa dor. Levantou-se, arrumou-se como para uma festa. Tomou um banho daqueles revigorantes. Vestiu sua melhor roupa, maquiou-se e sem hesitar, saiu de casa sem destino. Procurava encontrar o que havia perdido. E o que havia perdido estava muito longe de ser encontrado em um bar, em risadas ou em qualquer outro sorriso.
Faltava-lhe vida. Faltava-lhe a vontade de viver que outrora tivera.
E caminhou. Sem direção, sem rumo, sem destino. Ao menos se sentia bonita. Ao menos era observada, cobiçada, adorada. Mas nada daquilo fazia o menor sentido dentro de si mesma. Seus almejos estavam longe de se concretizar e suas certezas agora não passavam de mera história. Seu passado a condenava a infelicidade. Não acreditava que pudesse haver felicidade maior do que a que já vivera.
Hesitante e pensativa, decidiu retornar para sua casa. Despiu-se. Tornou a tomar banho para ver se a água corrente levava embora toda aquela dor. E claramente isso não aconteceu.
Saiu do banho, jantou seu prato predileto, saboreando cada garfada como se fosse a última e dirigiu-se para seu aposento. No caminho, decidiu buscar o que achara ser a solução de seus problemas. Passou, então, em sua cozinha e encheu seu copo amarelo, diga-se de passagem, sua cor preferida, de água. Procurou, em um armário escondido, um vidro púrpura de sabor amargo que comprara de uma velha amiga muitos anos antes.
Acompanhado de 5 comprimidos para dormir, ela ingeriu aquele líquido incolor e infeliz e deitou-se. Acalmou-se e foi pegando no sono, com a certeza de que aquela dor aguda e aquela angustia nunca mais a incomodariam.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Músicas

As músicas têm o poder, pelo menos em mim, de descrever sentimentos que muitas vezes nem eu sei que estão dentro de mim. Descobri que as palavras para mim fazem muito mais sentido quando, por trás delas, há uma melodia.

Algumas me fazem sentir bem. Outras me fazem sentir mal.

Essa música, por exemplo, eu dedico.
Pra alguém tudo de especial que infelizmente é tão forte que nem lá no fundo irá desejar...

AVESSO - JORGE VERCILO

Nós já temos encontro marcado
Eu só não sei quando
Se daqui a dois dias
Se daqui a mil anos
Com dois canos pra mim apontados
Ousaria te olhar, ousaria te ver
Num insuspeitavel bar, pra decência não nos ver
Perigoso é te amar, doloroso querer
Somos homens pra saber o que é melhor pra nós
O desejo a nos punir, só porque somos iguais
A Idade Média é aqui
Mesmo que me arranquem o sexo, minha honra, meu prazer
Te amar eu ousaria
E você, o que fará se esse orgulho nos perder?

No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar

No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar

O que eu sinto, meu Deus, é tão forte!
Até pode matar
O teu pai já me jurou de morte
por eu te desviar
Se os boatos criarem raízes
Ousarias me olhar, ousarias me ver
Dois meninos num vagão e o mistério do prazer
Perigoso é me amar, obscuro querer
Somos grandes para entender, mas pequenos para opinar
Se eles vão nos receber é mais fácil condenar
ou noivados pra fingir
Mesmo que chegue o momento que eu não esteja mais aqui
E meus ossos virem adubo
Você pode me encontrar no avesso de uma dor

No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar

No clarão do luar, espero
Cá nos braços do mar me entrego
Quanto tempo levar, quero saber se você
É tão forte que nem lá no fundo irá desejar

E olha que tem tempo que escrevi isso...
só adicionei a música...


A SAGA DA FAXINA

Sete horas da manhã. Acordei, olhei para a casa e pensei: Hoje é um belo dia para se fazer uma faxina. Foi uma vontade totalmente espontânea...