terça-feira, 4 de agosto de 2015

Escrevi esse texto pra você.

Nunca lhe disse, de fato, quanto sofri com o fim da nossa amizade. Na verdade, durante anos cutuquei esse ferimento a fim de mantê-lo aberto. Não queria te esquecer.
Entretanto, não há nada que o tempo não cure. E da mesma forma como curou a dor de não tê-lo mais ao meu lado, curou também a sua ausência. Hoje, nem sequer lembro como era ser sua amiga. Nem me lembro da sua voz e de seus conselhos. Lembro, vividamente, das histórias, das risadas. Não guardei o que era ruim. Mas criei uma espécie de escudo contra você. Hoje, me sinto segura pra dizer o quanto te amei e o quanto não te amo mais. O quanto sofri e o quanto não me faz a menor falta. O quanto aprendi e o quanto não quis que essa lição viesse da forma que veio. Preferia que ainda fosse leiga no assunto. E que ainda estivesse aqui.
Mas hoje o vazio de nossa amizade se transformou numa história engraçada.
Separa. A mãe dele.
Vivida por personagens que não existem mais. Eu cresci, você cresceu. Todos cresceram.


E hoje eu senti sua falta. Mas escrevi esse texto, e ela foi embora.
Brigas acontecem. Não existe fórmula perfeita para um casal manter-se eternamente em lua de mel. Um dia um acorda azedo, o outro acorda sem saco.

Tem dias que simplesmente não queremos falar. Tem dia que estamos presos dentro de nós mesmos, solitários e querendo apenas transformar as horas do dia em momentos de produção e aperfeiçoamento individual. Individual. Só um.
Outros dias queremos somar, unir, sorrir. Queremos um colo, um afago, um sexo. E assim a vida segue.

O amor não se constrói em dois dias. Inclusive sinto muito medo de amores que se constroem em dois dias.  Há quem saiba viver construindo e desconstruindo castelos, planos, sonhos. Eu não.

Entramos na era de gerações dos que não consertam, trocam. E a maioria desses relacionamentos fugazes acontecem justamente no momento que as flores murcham. Regar? Não. Vamos na lojinha e compramos outra.

Casamento é flor. É necessário água, carinho e amor. Paciência, por favor. Mais um pouco de paciência para aguentar a lua minguante. Dois seres, dois pensamentos, duas individualidades. Sonhos em comum, e outros nem tanto. Eu sou tradutora, ela quer ser chef. Adequamos os horários. Ela é fluminense, eu sou flamengo, adequamos os xingamentos. Ela é quente, eu também, adequamos nossas brigas.


A vida fica mais fácil quando entendemos que é necessário adequar-se a fim de manter a boa convivência. Brigas? Fato. O que realmente importa é que no fim do dia, no fim da briga, um sorriso ou apenas um olhar te faz sentir o estômago revirar. De felicidade.
Já perceberam como muitas vezes o destino (chame como quiser. Pode chamar de Antônio, não importa, desde que você entenda que estamos tratando daquela estrada invisível por onde percorremos ao longo dessa árdua e dura caminhada chamada vida), sim, o destino trata de nos mostrar, geralmente de forma clara, que estamos esmurrando um cutelo afiadíssimo?
Vai se machucar, pare! Mas não paramos.
Tá certo, tem horas que ele nos mostra de maneira tão turva que nem chegamos a entender que aquilo era um sinal. Passamos direto, seguimos e depois que nos estrepamos com todas as letras dessa palavra velha e horrorosa, olhamos pra trás e pensamos: ahhhhhhh... era aquilo! Agora eu entendi. (e de que adianta entender que vai cair depois que já está com a cara toda arrebentada?)
Independente de como ele nos mostra que não estamos no caminho certo, levanta a mão quem entende, ouve, aceita ou sequer cogita mudar suas vontades, desejos, sonhos, ou sei lá mais o que, simplesmente porque a razão tomou lugar e o coração foi obrigado a se calar?
Batemos de frente. Com qualquer pessoa que nos queira avisar ou alertar. Não enxergamos. Claro que não. Nossas lentes não são capazes, infelizmente, de nos fazer visualizar tudo que pode dar errado. Às vezes um amigo, um colega, um conhecido vê. Dependendo do grau de intimidade, se arrisca a dar pitaco e falar o que pensa (ou não). Mas uma verdade é absoluta: jamais daremos ouvidos para o que eles dizem.
Deixa que digam, que pensem, que falem.
Infelizmente temos a indecência de teimar. Muitas vezes acreditamos piamente que um caminho é seguro, confiamos plenamente que aquela estrada nos levará para o fim de uma tortuosa caminhada em busca de algo que nem sabemos, de fato, o que é. Mas queremos. Almejamos. É isso. Insistimos em não acreditar que o destino nos colocaria numa roubada.
Acredite. Colocou, coloca e colocaria de novo se for para o seu crescimento. Porque na vida há sempre duas escolhas. A linha reta ou o ziguezague. Você opta entre ouvir seu coração ou todos os que estão à sua volta. Principalmente as pessoas que se importam. Há quem se importe, de verdade. O problema é que quando queremos algo, ficamos cegos, surdos e idiotas. E acabamos caindo nas garras de um sentimento chamando: dane-se o mundo, é isso que eu quero e é isso que eu vou fazer.
Deixa que digam, que pensem, que falem.
Repito. Essa máxima é a verdadeira.
Só não me venha depois choramingar. Porque certamente vai ouvir a clássica frase: eu te avisei.




Eu sou chata, azeda, exigente. Gosto de regras. Aliás, preciso delas. Isso não significa que eu não as quebre vez ou outra. Me perco com mu...