quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Promessas...

Feliz ano novo!
Na virada eu vou vestir branco, ou quem sabe dourado, talvez os dois para não deixar ninguém irritado.
Vou olhar nos olhos, vou falar o que penso. Vou despir-me dos medos e não aceitar o que não aceito. Vou amar incondicionalmente, mas dessa vez a mim mesma. Vou brindar a virada do ano com um copo de leite a abraçar a Colombina, minha cadela. Vou fazer uma dieta e até parar de fumar. Vou esquecer as ofensas ou tratar de não permitir que as façam. Pelo menos não gratuitamente.
Vou me desintoxicar daquilo que me incomoda. Vou ficar mais tempo com a minha mãe. Vou cumprir todas as promessas que faço para mim e para os outros. Vou pagar as minhas dívidas. Vou arrumar um emprego, ou quem sabe dois. Não vou permitir que me julguem. Vou sorrir mais e chorar menos, se isso for possível. Vou tentar mandar no meu coração, mesmo sabendo que ele é um nobre vagabundo. Vou tentar curar as feridas que causei e correr muito atrás dos meus ideais. Vou sonhar acordada e realizar cada um deles como meta de vida. Vou viver, como aprendi até agora. Vou a praia, vou me tatuar. Vou dar alguma mancada e vou me magoar. Vou perder amigos e fazer novos. Vou me doar para aqueles que precisam. Vou me doar mais para mim. Vou olhar para frente, traçar metas e cumprí-las. Não daquelas irreais, porque metas irreais angustiam. Vou pedir perdão e vou perdoar na mesma proporção. Vou ser a Luda, a Lud, a Ludinha. Vou beber mais leite e menos coca-cola. Vou comer mais verde e menos carne vermelha. E daqui a um ano eu vou ler isso e me divertir gravemente...

Dia 31 de dezembro sempre me deixa emocionada. Choro compulsivamente desde a hora da contagem regressiva. Deve ser pra lavar o que de ruim estava aqui dentro e jogar fora tudo o que não presta. Deve ser por entender que a virada do ano é uma noite como outra qualquer que marca a data de um novo ciclo porque a mudança tem que acontecer dentro de nós. Sucesso só vem antes do trabalho no dicionário e na vida é preciso de muita batalha pra que possamos ter a coragem de mudar tudo que não nos convém.

É assim, meio sem sentido, meio perdida e muito feliz. Livre das amarras, livre de medo, livre. Simplesmente livre.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Então, é Natal...

Espírito natalino... O natal sempre nos traz essa nostalgia de tudo que poderíamos ter sido se tivéssemos agido de maneira diferente. O natal nos traz esse espírito pueril de que tudo o que desejamos realizar-se-á desde que desejemos intensa e verdadeiramente. Entretanto, não somos capazes de notar tudo que se perdeu ao longo dos anos de caminhada. Todos os planos que foram deixados para trás, todos os princípios que as mais diversas ocasiões trataram de alterar, todos os sonhos que provinham de nossas almas e que agora não fazem mais o menor sentido.
Hoje, dia 25 de dezembro me peguei em casa, sozinha, 19:48 assistindo a um filme que é muito mais do que uma mera comédia romântica água-com-açúcar. Para mim significou uma busca a tudo que eu tinha perdido, a tudo que eu tentei ferrenhamente não deixar para trás mas infelizmente deixei adormecido dentro de mim por algum tempo. E somente adormecido porque, por mais que a vida te faça ver tudo cinza, dentro de você, se algum dia morou o arco-íris, ele estará lá dentro. Basta que você o alcance e traga ele para perto de você novamente.
Não podemos deixar o tempo passar tão em brancas nuvens para determinadas situações. Utopia? Talvez. Mas do que alimentar-se-ia a alma se não de utopias?
Não tenho vergonha de assumir que hoje a tarde fui acometida por uma intensa crise de medo por conta de uns trovões. Medo mesmo, daqueles que dão frio na espinha e te fazem paralisar. Desejei que a minha mãe estivesse em casa, mas ela não estava. Claro que após a paralisação tratei de pegar o telefone e ouvir uma voz que pudesse acalentar esse medo. E o que mais me admira é que essa voz, apesar de conhecida por longa data, agora acalenta de maneira deliciosamente diferente. E disso eu não tenho medo.
Também não tenho vergonha de dizer que tenho muito medo de escuro e que, quando estou em casa sozinha prefiro estar no telefone, ou assistindo TV ou lendo um livro, para me sentir acompanhada. (Um momento, tá escuro...vou acender à luz).
Tenho orgulho em dizer que acredito nas pessoas. Mesmo. Por mais estranho que isso possa parecer, eu gosto de olhar dentro dos olhos e enxergar o colorido. Às vezes recompensa ser assim. Outras se torna muito doloroso.
Não tenho vergonha alguma de assumir os erros que cometi na minha vida. Nenhum deles. E tenho menos vergonha ainda de pedir perdão à todos que foram magoados, feridos ou maltratados por esses erros. À todos que se encaixarem aqui neste parágrafo, meus mais sinceros perdões.
Tenho muita vontade de ter a coragem de falar para algumas pessoas que elas não têm o direito de jogar com os sentimentos de outras pessoas e que com os meus elas não jogam mais. Simplesmente porque não quero.
Assumo que quando sei que há algo de errado na vida de qualquer pessoa que amo entro em contato para saber se em algum nível posso ajudar. Mesmo que essa pessoa não queira nem saber de mim. Dane-se. Eu me importo, sozinha, que seja, e quero pelo menos ter o direito de ouvir dela que tá tudo bem, que vai ficar tudo bem. Só a voz já me acalma.
Gostaria muito de ter o direito de me defender de algumas injustiças que foram atiradas contra mim.
Revendo alguns conceitos, pude notar o quão cruel eu fui com algumas pessoas e o quanto me doei para outras, o que de fato deveria ter sido inversamente proporcional.
Notei que quero as “butterflies” e que não temo senti-las. Quero mesmo amar, sem medo do que dizer para quem dizer. Atualmente isso acontece.
Quero uma vida simples, ao lado de alguém que de tão simples para mim, torne-se diariamente motivo do meu sorriso, ou minha primeira opção. E nem estou falando de casamentos e afins. Estou falando de amor. Seja no nível que for...
Não adianta fumar um cigarro e acender um incenso. Ou se admite que a fumaça é tem um cheiro ruim ou não se acende o maldito cigarro.


Desculpem a falta de métrica ou de palavras difíceis. Essa é uma crise de consciencia, o amadurecimento de uma alma, e não mais um conto daqueles que pretender ser elogiados.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Quem, eu!?

Prazer, meu nome é sonho!
Moro no infinito de uma mente aberta a me ter por perto. Vago pelos lugares mais obscuros e pelos mais felizes também. Sou desprovido de medo.
Prazer, meu nome é medo!
Vivo fugindo para não encarar a realidade que me alucina, que me encanta e que me inebria. Penso no que os outros vão dizer e achar. Sou desprovido de sonho e vivo preso em uma cápsula, doido pra explodir podendo culpar inteiramente o impulso por isso.
Prazer, meu nome é impulso!
Se não fosse por mim o medo tomaria conta e os sonhos jamais se realizariam. É em mim que mora o “pronto”. Eu moro entre o medo e o desejo, e meu combustível é o sonho. Mas muitas vezes sou impedido pela razão.
Prazer, meu nome é razão!
Eu sou responsável por não permitir que tudo na vida seja apenas sonho, impulso e medo. Sou eu quem comanda os desejos e tenta, ferrenhamente, com que os impulsos não controle-os.
Prazer, meu nome é desejo!
Estou todos os dias presente, me fazendo notar ao olhar para aquela que amo. Vivo a intensidade completa, com uma pitada de insanidade para apimentar os sentimentos. Sou amigo íntimo do impulso e inimigo mortal da razão. Sou criado pelos sonhos e afastado pelo medo. Eu transito entre a paixão e o amor. Na verdade, eu comando a paixão até que ela caminhe sozinha, transformando-se em amor.
Prazer, meu nome é paixão!
Sou eu quem libera a maior parte da felicidade. Eu sou o sonho, o medo, o impulso, o desejo. Sou contrária a razão, apesar de saber, lá dentro de mim, que em muitas vezes ela está correta. Sou quimicamente comprovado. Duro aproximadamente dois anos e sou a porta de entrada para o amor.
Prazer, meu nome é amor!
É difícil de falar pois sou completamente indefinido. Moro no sim, no não, no não quero e no preciso. Vivo entre a cabeça e o coração, o desejo e a razão. Sou a felicidade plena, a tristeza absoluta. Levanto e derrubo. Afago e machuco. E caminho de mãos dadas com meu irmão, o ódio.
Prazer, meu nome é ódio!
Sou tudo o que não precisava e nem queria ser. Sou o contário, por isso existo. Sou a negação de meu irmão e ao mesmo tempo, a afirmação de que ele existe e ainda muito latentemente. Não sobrevivo muito tempo, e posso me tornar o desprezo.
Prazer, meu nome é desprezo!
Vivo naquilo que considero não existir, daquilo que nego a existência, mas na verdade só existo porque, apesar de negar para todos, eu sei que o que desprezo, existe. Na verdade, desprezo até a minha existência. Não passo do amor transformado em ódio e ódio com a ajuda do tempo. E vivo auxiliado pela mentira.
Prazer, meu nome é mentira!
Não duro, sou fraca e necessito de muitos esforços para existir. O que mais me trás é a traição.
Prazer, meu nome é traição!
Sou a fraqueza de espírito e o medo da felicidade, acrescidos da falta de caráter. Sou a maldade para com meu amigo amor. Sou a falta de consideração, a falta de compromisso, a falta do próprio amor. E depois de mim, a alguns poucos, surge o arrependimento.
Prazer, meu nome é arrependimento!
Sou aquilo que eu não queria ter sido, mas infelizmente fui e não posso mudar. Não posso mudar o passado, mas posso, se quiser, aprender com o presente para viver bem no futuro. E com isso, trago o sorriso.
Prazer, meu nome é sorriso!
Me defino como o prazer exposto pela face. É a reação física da emoção sentida. É o que eu sinto quando te vejo, mesmo que de longe.

Quem sou eu? A mistura de todos esses, acrescidos de alguns outros. Eu sou o erro e o acerto, a pureza e a maldade, humana e cruel, feliz e desgastada. Mas não posso me esquecer, preciso me apresentar: Prazer, meu nome é Ludmilla.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A novela...

Estava assistindo à novela da tarde hoje – sou noveleira assumida e quando gosto da novela vejo até o Vale a Pena Ver de Novo – e percebi o quanto tentamos alcançar o inexistente. A personagem da Guilia Gam (Heloisa) estava conversando com mais uma Helena do Manoel Carlos, que neste caso é sua irmã, sobre o fato do marido ser louco para ser pai e ela, por egoísmo, ter feito uma laqueadura de trompas para que não tivesse que dividir o marido com ninguém, nem mesmo com um filho. Parei. Analisei. Pára agora! Eu estava sim analisando a vida através de uma novela de Manoel Carlos apesar de achar que nenhum ser humano provido de inteligência deva fazer isso. Gente, a vida deles é perfeita! Até os empregados têm dinheiro pra cacete. Pessoas que não sabem o que é vida real. Todas moram em mansões no Leblon, todas são extremamente educadas e bem vestidas, quando se estressam falam baixo e ele ainda é capaz de colocar os problemas mais surreias que já vi na vida, juntos, numa mesma novela. Uma apanha do marido sem nada falar, nunca. As pessoas ao seu redor sabem que ele a espanca e ninguém também toma atitude alguma. Ela fugiu de São Paulo por não agüentar mais essa vida e no entanto ele a encontrou e ela continua na vida de ser surrada a cada capítulo. A outra é a professora cachaceira e se encachaça dentro da escola. Tem uma tentativa, diga-se de passagem, muito da furreca, de um casalzinho adolescente de lésbicas que me irritam profundamente. Analisem: elas são adolescentes (sinônimo de hormônios a flor da pele) e namoram o tempo inteiro somente se olhando! As lésbicas não podem nem se tocar porque se não as pessoas que assistem a novela têm um colapso nervoso. Mostrar o marido espancando a mulher pode. Mostrar que a outra fez um aborto, ilegal no Brasil também pode. Mas mostrar a realidade não. Vou contar um segredo: EXISTEM CASAIS HOMOSSEXUAIS GENTE!!! Desculpem descolorir o mundinho rosa de vocês com a realidade. Pra que coloca lésbicas então? Sinceramente, se eu namorasse qualquer uma das duas, mesmo que na novela, tiraria muitas e muitas casquinhas e não ficaria olhando o tempo inteiro. Neste mesmo capítulo os pais de uma delas saem e deixam a menina sozinha em casa. Claro que ela chamou a namorada para uma noite romântica. Raciocinem: LINDAS, as duas. Vocês acham mesmo que elas ficariam conversando sobre a Paulinha, a garota mais chata da escola??? Faz me rir, não é mesmo?
E essa tal de Paulinha? Caralho... desculpe o mal termo, mas ela me dá enjôo. O pai é o zelador da escola. Ela morre de vergonha de morar lá mas se você reparar o quarto dela é 10 vezes o tamanho do meu apartamento. Ela vive humilhando o pobre homem, chamando o cara de pobre, como se isso pudesse chegar perto de ser humilhação para alguém. E a desgraçada tem tudo do bom o do melhor. Daí, pra se sentir melhor ela vive pedindo pra dormir na casa da amiga, que mais parece um picolé de chuchu, que por sua vez é apaixonada pelo Fred, que ama a professora que apanha do marido...


Aff...essas coisas me fazem até perder o foco. Mas voltando ao que eu estava querendo dizer. Não adianta. Ninguém nunca se sentirá completamente satisfeito. Nunca. Haverá sempre uma reclamação, sempre um problema, sempre um impecilho para alcançarmos a tão esperada felicidade.
Sabem por quê?
Eu aceitei uma verdade dentro de mim e gostaria que alguém tentasse mudá-la ou que pelo menos tentasse me mostrar qualquer outro ponto de vista. A felicidade acontece agora. E NÃO SE REPETE. Cada momento feliz é aquele momento, exatamente como um orgasmo. Você pode transar milhares de vezes com a mesma pessoa, entretanto a possibilidade de se ter dois orgasmos iguais é percentualmente mínina. Porque simplesmente não acontece. Simples assim. Um momento de felicidade é único e não adianta que nada vai prolongá-lo além do que ele deve ser, nada fará com que ele se repita. Podem acontecer outros, mas estamos com aquela impressão de felicidade petrificada dentro de nós. A máxima “a primeira impressão é a que fica” é verdade. Achamos que felicidade é sempre aquela, exatamente aquela sensação gostosa que temos dentro de nós quando na verdade a felicidade pode não ser sensação alguma. Não pensamos que quando não estamos sentindo estamos felizes. Sempre exitamos ao falar de sentimentos bons. Damos valor demais as coisas ruins. Acho que se pararmos de dar audiência pras coisas ruins elas não voltam. Passam rápido. E também pensamos que se não vivemos eternamente em êxtase total é porque estamos infelizes. E aí começamos a procurar agulha no palheiro. Na verdade não buscamos encontrar a felicidade, buscamos sempre acabar com ela. Não aceitamos a felicidade de fato. Procuramos sempre o que nos faz infeliz!
Sempre me pergunto porque eu nasci uma pessoa (e não um cachorro), e ainda mais mulher. Tô com meu nível de testosterona alto hoje e totalmente impaciente para qualquer tipo de abobrinha sobre felicidade.
Felicidade é um estado de espírito e ninguém pode nos fornecê-la. Somos ou não felizes e isso depende apenas de nós mesmos.
Há quem escolha ser eternamente infeliz por ter petrificado dentro de si um único momento de felicidade, um pequeno período de sorrisos e qualificando ou mal comparando qualquer outra situação que se viva. Há quem goste da liberdade de ser feliz olhando seu cachorro dormir...

E você? O que escolhe?!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Gatos X Ratos

Uma mente possui a capacidade de nos levar ao delírio. Ela é capaz de nos fazer realizar nossos maiores desejos sem que ninguém saia prejudicado de situação alguma. É dentro dela que fazemos nossas viagens insólitas e somos exatamente quem queremos ser. Vivemos e amamos intensamente. E dentro da mente somos amados reciprocamente.
Há quem consiga realizar esses delírios ao ouvir uma música, ao sentir um cheiro, ao ver uma paisagem. E há também quem consiga vestir diariamente a armadura da realidade para sempre viver esse delírio sem arruinar nenhuma fantasia.
Há fantasias que transformam olhares opacos em sorrisos largos. Brigas inúteis em carinho e atenção. Grosseria gratuita em felicidade inestimável.
Há sonhadores que vivem a dura realidade apenas pelo fato de permanecerem sonhando. De serem capazes de, mesmo sonhando, não fugir à realidade. E nesse sonho vivem com quem desejam.
Desejo? Não é a alma do negócio. Nem ética, diga-se de passagem. Os muito éticos acabam por escrever textos como esse, pelo simples fato de desejarem sem coragem de realizar.
Há quem viva o subentendido, o implícito. Maneira inteligente e dolorosa de se viver para se proteger daqueles que agem na calada da noite, roubando para si o brilho intenso de outros pelo simples fato de não serem capazes de brilharem por si só. Acredito que brilho não se apaga, se ofusca. Mas por pouco tempo, por menos do que se pode imaginar.
Mas viver o implicito pode doer. Pode ferir como ferro em brasa e manter a ferida ardendo por anos e anos. Pode maltratar um coração que, cansado de sofrer, aprende a conviver com sentimento que gostaria de viver. E não conviver. Conviver é paralelo. Conviver é cruel. Conviver é a única maneira que esse coração encontra de manter o olhar brilhando e a esperança acesa.
Já os que agem na calada da noite são gatos, sorrateiros e vorazes. Mas não são capazes de manter sentimentos. Não são capazes de amar nada além deles mesmos. E são eles que acabam sempre em uma cama quentinha, acompanhados e recebendo os mimos que os farão ronronar. Só que, felizmente (ou não) as trocas são constantes e a inconstância os torna cada vez mais sorrateiros e vorazes. Eu digo que esses são gatos pois os sonhadores são os ratos, sempre caçados e perseguidos. Caçam-lhe a luz, a felicidade. Ofuscam-lhe os olhares e sonhos. Mas impressionantemente os sonhadores permanecem acordados, fiéis aos seus sentimentos e leais às suas éticas.
Os sonhadores, como o próprio nome já diz, vivem a realidade criada dentro deles. Apaixonam-se como um furacão: forte, destruidor e rápido. Mas amam como a correnteza de um rio: constante, serena e fiel a sua direção.
Eterna sonhadora, gostaria de deixar aqui o relato deste rio que passa dentro de mim. Subentendido como aprecio, para que nem o destinatário entenda que dentro de mim mora o maior amor do mundo...

Enquanto isso, os sonhadores sonham... Vivem dentro de si...

domingo, 30 de novembro de 2008

Me intriga a maneira deturpada como as pessoas encaram fatos facilmente compreensíveis se observados pelo prisma que se tenta imprimir ou, simplesmente, sem julgamentos.
Me enoja a maneira como tudo se torna banal, como boas atitudes nunca são levas em consideração perto de uma dificuldade.
Me encanta olhar o mundo de forma colorida, ver beleza nas menores coisas, admirar atitudes, gratidão, amizade...
Se ser adulto significa perder a beleza da vida, que Deus me conserve a eterna criança que sou.
Não quero mais ser julgada, ou mal julgada.
Estou vestindo diariamente uma armadura para continuar vivendo. E essa armadura ninguém quebrará. Problemas são fatos permanentes na vida de qualquer ser humano pensante. A maneira como os encaramos que nos tornam mais ou menos capazes de solucioná-los.
Não gosto de mal caratismo. Tento não sê-lo com quem olho dentro dos olhos e digo o que se passa dentro da minha alma.
Não gosto de mentiras. Claro, esse recurso é válido quando não nos condena à escravidão.
Não gosto de falsidade, hipocrisia. É baixo, triste quem precisa esconder-se atrás dessa máscara para conquistar atenção e carinho.
Não gosto de usar as pessoas, não faço e não pretendo fazê-lo. E tenho raiva de quem faz...

Não sou perfeita.

Vivo tentando aprender com meus erros e acertos, vivo simplesmente tentando.
Amo incondicionalmente cada milimetro do meu corpo e caráter, pois são eles que incondicionalmente me acompanham todos os dias da minha vida.
Não peço que me acompanhem. Não imploro companhia. Não sou inflexível. Acho que cada pessoa que entra em nossa vida tem a capacidade de nos fazer permitir alguma modificação, alguma alteração em nós mesmos – e até acredito que essa seja a função delas. Entrentanto, cabe a nós, e somente a nós, saber discernir se essa modificação foi benéfica ou não. Cabe a nós mesmos permitir que essas alterações permaneçam. E aí saberemos se aprendemos algo de bom, ruim ou se simplesmente não aprendemos. E ainda aprenderemos, com tudo isso, se soubermos utilizar a nossa inteligência, a pedir perdão se, por algum acaso, essas modificações porventura magoarem qualquer das pessoas que nos circundam e nos amam.

Adoro olhares. Como dizem, os olhos são a janela da nossa alma. Vivo intensamente cada olhar que dirijo a cada situação, cada pessoa, cada objeto...
Olho para tentar captar a intensidade que cada situação me passa para que, depois, eu possa utilizar essa experiência em outra situação.

Essa sou eu.
Imperfeita, apaixonada, ranzinza.
Sedenta por aprendizado, sedenta pelo ser humano e tudo que ele pode nos oferecer.

E ser ser assim está errado, que me perdoem mas cientes sobre a verdade entre o certo e o errado, permanecerei dessa forma até me faltar o ar nos pulmões...

By: Only Me...

sábado, 5 de abril de 2008

E tem motivo aparente? Masoquismo, só se for...

Hoje à tarde eu estava em casa, passeando por alguns blogs e me peguei pensando:

Por que cargas d’água nos apaixonamos?

Convenhamos: é um desgaste totalmente desnecessário.

Conhecemos uma pessoa. Início de todo o problema. Ela é linda, interessante, o papo dela é interessantíssimo, vocês gostam das mesmíssimas coisas.

Eu acredito que dentro de nós, seres humanos repletos de imperfeições e desatinos, haja um tipo de modelo. É como se já soubéssemos exatamente o que queremos ou não perto de nós. Sabemos, ou pensamos saber, quais qualidades admiramos, quais defeitos não suportamos. Eu vou até mais longe... Achamos que só nos atraímos por determinados biotipos. O que, por experiência própria, é uma grande mentira. Esse modelo, ou molde, como preferirem, é o que imaginamos que seja a perfeição para nós. Sabemos mais precisamente do que “não gostamos”. Qualquer coisa que venha longe disso pode ser aproveitado de alguma forma.

Daí rola aquele clima – primeiro e imprescindível passo: a reciprocidade. Ela se interessou por você também. Um ponto pra você, meu jovem! Atualmente, reciprocidade de qualquer sentimento é material escasso no mercado.

Vocês trocam uma idéia. Ela se surpreende com o que vê em você, e você se encanta a cada dia mais com o “jeitinho” meigo dela.

Telefonemas daqui, mensagens dali. Vocês se conhecem a cada dia mais e a vontade de estar perto dela é cada vez maior. Pronto! Está feito! Certo dia, depois que ela foi embora da sua casa, você se pega agarrada com uma camisa sua que ela usou na noite anterior para dormir. O cheiro que está na camisa parece tomar conta de você como se você não fosse capaz de respirar naquele momento se suas narinas não estiverem em contato com aquele tecido. Você está totalmente apaixonada. Como uma idiota!

Você liga, corre atrás, demonstra o que sente, fala pra ela que ela é linda. Mas nada disso, nunca nessa vida, será suficiente para mulher alguma. Você tem que aprender a olhar pra ela e saber o que ela gosta como ela gosta. Você tem que entrar no jogo dela.
Se demonstra demais, é grudenta. Caso demonstre de menos, não se importa (li algo parecido com essa frase hoje... por isso pensei mais ainda no assunto). E se você não aprender tudo o que ela gosta, quer, sonha ou deseja em menos de um mês... Adiós muchacho!!! Tomarás um pé na bunda sem a menor explicação.


E sabe qual é a pior parte?

Em algum tempo você estará ou pensando nela loucamente e querendo tê-la de volta ou, a pior de todas as hipóteses, vai se apaixonar por outra e terá de viver tudo isso outra vez...

E VIVA A COMPLEXIDADE DO SER HUMANO!!!!!!!!!!

quinta-feira, 6 de março de 2008

No passado...

Madrugada inteira em claro. Por mais que tentasse dormir, o sono teimava em não aparecer. Seus pensamentos vagavam entre “nãos” e “porquês”. Sua mente não raciocinava além de um eu não acredito. Súbito frio no estômago. Aquela imagem inédita esmagava suas expectativas com a certeza de que seria eterna. Tão eterno quanto aquele amor. Louco e puro como todo amor deveria ser.

Sentia-se assustada. Toda aquela nova situação de abrir mão da idéia de um futuro a atormentava. De uma idéia, pois nunca passara disso. Era só o sonho. O encaixe perfeito de seus desejos. Até os defeitos eram convenientes. As brigas, ideais. Acreditava piamente que aquele relacionamento era o modelo de perfeição entre todos os outros que vivera, mesmo que por tão pouco tempo.

Nada importava mais. O importante agora era deixar passar. Pulverizar todo um sentimento. Modificá-lo. E isso incomodava. A guerra entre o “não quero” e o “preciso” estava mais acirrada do que sua vontade de que aquela merda toda nunca tivesse acontecido.

Tarde demais. A maldita imagem, mesmo que dentro de sua cabeça, já estava lá e nada a tiraria. Só o tempo e talvez algumas atitudes. Seu maior anseio era de que o tempo não fosse uma borracha eficiente...

Eu sou chata, azeda, exigente. Gosto de regras. Aliás, preciso delas. Isso não significa que eu não as quebre vez ou outra. Me perco com mu...