quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

De corpo e alma

Analisando friamente algumas situações que acontecem ao meu redor eu cheguei a terrível conclusão de que nunca se sabe ao certo quando realmente vamos crescer. Não sabemos nem o que é crescer até que isso realmente nos aconteça. Desde muito cedo temos sonhos e planos que desejamos realizar algum dia. Algum dia longe do presente momento em que se sonha. Desde cedo falamos que aos 18 vamos morar sozinhos, comprar um carro, ganhar muito dinheiro em um emprego fixo e bom. Casaremos, teremos filhos. Mas são apenas sonhos. São planos para um futuro que dificilmente concretizaremos aos 18 anos de idade. Me tiro como exemplo disso. Um dia dormi completamente adolescente a acordei meio adulta. E me sinto cada dia mais adulta, cada minuto mais madura. O que me indago é que isso realmente deve ser cultural. Há lugares onde um adolescente de 16 anos já é considerado um adulto, com exigências de adulto, com escolhas de adulto. Se aos 16 eu tivesse sido cobrada dessa forma acho que teria surtado. Precisa de pressa para crescer? Não gosto das coisas com pressa, apesar disso ser uma afirmação um tanto quanto irônica em se tratando de mim, pois encaro tudo com a intensidade de um furacão. Mas se pararmos para analisar até um furacao leva seu tempo para se formar e se tornar o estrondo que é. Ou deve ser... nunca vi um!


Tudo há seu tempo... Levei quase 28 anos para encarar um relacionamento da forma como se deve encarar um relacionamento: sério, leal, sincero, honesto, fiel, recíproco. Levei quase minha vida inteira para entender que mãe e pai também erram, que eles também são seres humanos, que eles também tem uma vida que, por opção, meio que abdicaram ao nos colocarem no mundo, mas que também são passiveis de erros e deslizes. E que não devemos julgá-los para sempre por isso. Às vezes vale à pena fazer vista grossa pra tentar viver melhor consigo mesmo.

Não vou deixar de ser eternamente apaixonada pela vida porque tiro algo do seu lugar e coloco novamente para não instalar a zona pela casa. Porque atualmente prezo um bom almoço e um bom jantar à mesa ao invés de toda torta no sofá, sem estrutura para cortar nada, e com grandes chances de provocar um acidente que me causará maiores trabalhos posteriores. Porque agora tomo mate ao invés de coca-cola diariamente porque o sobrepeso me faz muito mal aos joelhos. Não me considero menos divertida porque descobri que louça e roupa não são auto limpantes e porque agora dou muito mais valor ao trabalho que a minha mãe sempre teve em casa. Casa é algo que se suja por existir. Você acaba de limpar e já se pega triste por ver aquela maldita poeira se formando no canto da sala. Ainda mais quando sua cozinha e seu banheiro são completamente brancos e novos. Não curto menos a vida por ter diversão em lavar as roupas da semana, por esperar minha esposa chegar do trabalho de banho tomado e com a casa arrumada e por ficar feliz se no fim do mês conseguir pagar todas as contas. Meus programas agora acabam muito mais cedo do que antes porque simplesmente prefiro dormir mais cedo para curtir mais o dia seguinte.

Eu reservo em mim um espaço para as criancices e as traquinagens que sempre foram peculiares dessa locutora. Gosto de brincar, mas agora vejo a hora e o local para as brincadeiras. Prefiro um bom vinho dosado, sentada no sofá da minha casa, acompanhada somente do meu amor do que diversas doses de pinga, em um boteco qualquer, que sempre me fizeram agir de forma estranha e diferente do meu regular jeito de ser. Fico angustiada pela falta de grana e simplesmente não consigo mais sair com 5 reais no bolso.

Se isso é ser adulta, estou adulta de corpo e alma. E o que mais me intriga é que estou adorando isso...

Eu sou chata, azeda, exigente. Gosto de regras. Aliás, preciso delas. Isso não significa que eu não as quebre vez ou outra. Me perco com mu...