sábado, 4 de abril de 2026

NÃO TEM COMO PARAR

Ando descobrindo muitas coisas nessa tal de vida adulta. Que é difícil, todo mundo sabe. Mas pra uma pessoa neurodivergente o troço se embola de tal maneira... Porque, além de lidar com todas as dificuldade que a vida adulta impõe, você ainda tem que lidar com as dificuldade que seu cérebro diferente traz. E olha que nem é um post autolamentativo não. Porque não to nem com disposição para me autolamentar. O intuito desse post é apenas um esvaziamento controlado do meu HD cerebral. E também um lembrete de como não me inserir novamente nesse contexto caótico no qual me encontro neste exato momento. Ano passado, em meados de agosto, eu tive uma baixa do meu trabalho como tradutora. Uma baixa normal, como sempre aconteceu. Só que eu to ficando velha. Os altos e baixos da vida de freelancer não me atraem mais tanto quanto antes. Decidi buscar um emprego formal. Professora. Nasci assim. Nasci professora e tradutora. É o que eu sei (e amo) fazer. Tá bom, tem a fotografia. Mas essa ingrata insiste em impor barreiras intransponíveis. Outro dia falo dela. Enfim, mandei uns currículos e consegui. Professora bilingue do Pré II. Amo. Quando você entra num emprego depois de uma fase com a grana curta, a coisa demora um cadinho até estabilizar. E foi aí que eu precisei interromper meu tratamento do TDAH, porque os remédios são caros pra porra. Os três remédios que eu tomo somam, em média, a bagatela de 700 conto por mês. Esses custos estavam agressivos demais pro meu padrão de vida. Uma das maiores dificuldades que a vida adulta impõe é tomar decisões. E eu tomei a decisão (deveras equivocada) de interromper o tratamento (exclusivamente por questões financeiras). Quando você interrompe um tratamento, a coisa começa a crescer como uma bola de neve. Enxergamos tudo de maneira diferente, com a visão borrada pela neurodivergência. Sério, eu sinto uma vontade absurda de amassar a cara de quem romantiza a neurodivergência, seja ela qual for. “Ah, mas vocês são mais criativos, mais inteligentes”. Algumas pessoas, de fato, são. Mas coloca uma ferrari no transito caótico das 18hs do RJ e me diz se serve de alguma coisa. Porque é examante isso. Um cérebro criativo preso à uma vida que não dá espaço pra ele. Mas nem era disso que eu tava falando. Já tem mais dois temas pra frente, anota aí. Bora voltar pra bola de neve. A minha vida nem tava tão problemática assim, sabe? tive umas questões pessoais durante esse tempo, mas nada que não fosse ser resolvido. Como foi. A única coisa que realmente me afetou foi quando meu cachorro ficou doente. E foi aí que as questões profissionais começaram a me afetar. Meu cachorro ficou muito doente e precisou ser internado. Ele é idoso, sempre foi agressivo, então só eu podia lidar com ele. Exames, internação... Só que eu tinha que ir trabalhar. Qual é o atestado que cobre a falta pra cuidar do cachorro? Descobri que não existe (sim, depois de 13 anos sem trabalhar em regime CLT a gente desaprende algums coisas). A escola não encarou muito bem isso, mas levamos. O ano acabou, entrei de férias, vida que segue. Esse ano letivo começou exatamente como um trator. São muitas nuances que, nesse momento, prefiro não descrever. Talvez outra hora. Na terça feira da semana retrasada, depois de 5 meses indo pra escola de Scooter Elétrica, com autorização de todos que teriam autonomia para decidir se eu podia ou não carregar a bateria da minha scooter na escola, houve uma alteração totalmente abitrária em relação à essa questão. Inclusive, minha bateria foi retirada da tomada sem um aviso prévio, o que me fez ficar sem bateria na rua, ainda longe de casa, o que me levou a passar momentos muito delicados, o que gerou uma crise monstra, que me levou à neuro, que me obrigou a gastar uma grana que eu não tinha em remédios e o que me afastou do trabalho pelo INSS. O que eu quero dizer com tudo isso? Não parem. Não interrompam o tratamento. Ttentem medidas legais para conseguir seus medicamentos pelo SUS. Busquem ajuda de quem quer que seja para comprar seus remédios. Mas não parem. A vida atropela a gente que não enxerga o mundo de forma neurotípica. A gente sente dor. Física, mental e espiritual. A gente se sente incompreendido, porque, de fato, somos. Ninguém enxerga as cores que vemos. Ninguém sente as dores que sentimos. Ninguém é obrigado a saber o que tá passando aí dentro. O mundo, amigão, não te deve nada. Você é quem tem que ter uma sanidade que não veio de fábrica pra entender que seu tratamento é tão importante quanto um tratamento de diabétes. De hipertersão. TDAH não é frescura. Se cuidem.

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