segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Revistas de embelezamento me cansam...

Hoje à tarde, num momento de descontração e lazer, eu encontrei em casa uma revista e peguei-a para folhear, ver as modas, as pessoas...
Era uma dessas revistas de embelezamento feminino.
O que me assusta no conteúdo dessas revistas é que o tal embelezamento dito nessas revistas deve ser privilégio somente para aquelas mulheres naturalmente lindas, com corpos esculturais. Gente, cada vez que me pego lendo alguma matéria dessas revistas eu me sinto a pessoa mais horrenda do mundo e com a menor força de vontade também. O conteúdo delas geralmente me faz ver que realmente eu não sou público alvo para elas. As reportagens sobre dietas me fazem ter pena das pessoas que as seguem. E me faz refletir se é humanamente possível seguí-las. O infeliz que escreve (ou a infeliz que escreve) deve se divertir muito pensando: “HUA AH AH, VAMOS FAZER TODOS OS GORDOS DO MUNDO MORREREM. DE FOME”.
Tem dietas ali que me fazem rir de desespero:
Coma uma fatia de pão integral com queijo cotage e meio copo de leite desnatado.
Ok, como. Mas o café da manhã vai ser o que mesmo?
Sem contar nas infinitas possibilidades de se fazer uma abdominal. E olha que essas revistas são tão convincentes de que aquelas tais maneiras de se fazer as abdominais são funcionais que a pessoa que tá lendo é capaz de largar a revista e se deitar no chão para começar o exercício naquele minuto.
Nessas revistas têm 1001 maneiras de prender seu homem na cama. Obrigada, não me interessa. 439 verdades sobre os orgasmos. A verdade sobre o orgasmo é uma só: ou você tem, ou não. 35 maneiras de andar de salto. Mais uma que eu passo adiante.
Enquanto eu folheava a revista me peguei com uma reportagem que me deu arrepios.
A reportagem denomina-se: 11 verdades que os homens adoram sobre mulheres. Já parei e analisei se valeria a pena gastar meu tempo lendo o título. Resolvi dar um crédito e tentar acabar com esse meu “pré-conceito”. E também fiquei curiosa quanto as asneiras que poderiam estar escritas.
A primeira verdade era: seu jeito suado quando sai da ginástica. Parei. Jura? Eles reparam nisso?
Agora, a segunda dica me chamou muita atenção. Eis: Quando usa as roupas dele. Logo pensei: ou a mina é sapa e o cara não tá notando, ou o cara tem a mesma tara que eu.
Eu acho um charme mulher andar em casa de blusa social de homem. Daquelas brancas, com os dois primeiros botões superiores abertos, so de calcinha. Acho um tesão mesmo. Puro fetiche.
Então pensei: finalmente algo que me interesse. E fui ler.
Serei obrigada a copiar fielmente o parágrago para que vocês possam entender meu desespero:
“Por que será que a sua visão desfilando com uma das camisas dele – e somente isso – o deixa num estado de felicidade quase selvagem? Talvez seja um sentimento meio animal e possessivo deles de olhar e pensar: Ela é minha! Bem, e daí? Os homens tremem ao pensar que somos sua propriedade. E que mal há nisso, desde que a retribuição sejam orgasmos e diamantes?”

PÁRA TUDO!

Vocês leram essas últimas linhas? As duas últimas!!!
Esquecam as outras, porque se pararmos para analisar a quantidade de idiotice escrita vamos ficar até amanhã de manhã. Já está tarde e eu realmente preciso dormir. Mas jamais conseguiria dormir sem externar a minha indgnação para com estas últimas duas linhas.
Há mulheres que pensam dessa forma? Tipo, vamos fazer os caras acharem que somos deles pra eles nos darem orgasmos e diamantes???
Meu Deus!!! Eu nunca esperei ler isso na minha vida.
Para quem eu amo eu dou presentes para ver a pessoa feliz. Para poder admirar o sorriso, a surpresa. Para demonstrar palpavelmente que em algum momento do dia eu parei e dediquei meu pensamento somente para ela.
E orgasmo? Eu sempre quero prover um orgasmo. Sempre. Na verdade eu acho que eu faço sexo para que a outra pessoa sinta prazer, meu prazer mora aí. Não imagino o que seja transar com alguém sem que isso aconteça. E se não acontecer e a transa for maravilhosa, como geralmente é quando estamos devidamente apaixonados, o orgasmo é consequência.

O que passa na cabeça dessas pessoas que escrevem esse tipo de abobrinha? Estudam 4 anos de jornalismo para escrever esse tipo de asneira? E ainda se sentem no direito de reclamar porque acabaram com a obrigatoriedade deste diploma?
Claro que eu não acho que temos que discutir a existência de ETs o tempo todo, ou temos que analisar a teoria relativista ou as consequências da crise mundial, nada disso.
Mas será que não há nada mais interessante para falar além de resumirem mulheres, que lutam tanto pela independência, à dinheiro e sexo?

E olha que o nome da matéria é “ATITUDE”.Que me perdoem os que gostam desse tipo de revista, mas eu prefiro continuar sem atitude. E com um preconceito agora ainda mais acentuado. E fundado também.

Um ciclo se fecha. Um comportamento muda tudo na nossa vida.

Eu tenho a tendência a me tornar amiga das pessoas que eu me apaixono. Mas do que seria baseado um futuro relacionamento se não de amizade?

Na minha concepção de vida, eu enxergo um namoro, um casamento, um envolvimento afetivo sexual, se assim pode-se dizer, como uma amizade com desejo. É simples assim. Essa pessoa tem que ser sua melhor amiga, para todas as horas, porque é ela que será seu porto seguro. É com ela que você vai dividir o que o mundo não entende, é no colo dela que você vai chorar suas frustrações e sorrir as suas glórias. E por ela você sente uma vontade de tocar mais intensa do que aquela que você sente com um amigo.

E por que tem que ser diferente disso?

Eu não sou dada a jogos de amor. Sou dada a conquistas. Há quem diga que quanto mais complicado para mim, melhor. Não concordo. Eu tento descomplicar ao máximo, me aproximar do que mais me desperta para as semelhanças, do que eu mais enxergo afinidades e sinceridade. Mas estou descobrindo que o que as pessoas gostam e de imagens, de ilusões e de inverdades.

Por que precisamos criar imagens e expectativas quando podemos lidar com o que está diretamente nos fazendo um bem intenso?

Estou colocando hoje para fora nada mais do que pensamentos soltos, desabafos repentinos. To explodindo por dentro. E nesse fim de semana explodi com as pessoas que menos têm a ver com isso. Na verdade, ninguém tem nada a ver com isso. Eu deveria olhar no espelho e explodir com o que eu enxergasse nele.

Eu não quero e não vou mudar esse meu pensamento. Ouvi também que vou ficar sozinha por causa dessa síndrome de Gabriela (eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim, Gabrieeeela). Mas definitivamente não acho que eu tenha que jogar para conquistar àquela que digo estar apaixonada. E se alguém por favor, conseguir me convencer do contrário, me avise.

Texto pequeno. To simplesmente cansada do singular. Eu quero meu plural pra voltar a me alegrar...

sábado, 5 de setembro de 2009

Feriado serve pra que mesmo?

Pra free-lancer essa coisa chamada "feriado" não existe. Aquilo de ter um dia certo para descansar, sair, visitar amigos, viajar... Pura balela! São 2:48 da madrugada e eu acabei de acordar pra trabalhar. Sim, meus horários são completamente diferentes de qualquer pessoa normal. Eu estava com sono às 22:15 e nem consegui assistir ao jogo do Brasil. Mas só em saber que ganhamos da Argentina eu já ganhei a noite. Brasil x Argentina, até para quem não acompanha futebol assiduamente, é final de copa do mundo. Aliás, ultimamente eu não tenho assistido nada assiduamente, a não ser os epísódios dos seriados que estou trabalhando.
Ai, a Colombina, minha cadela, achou de querer ir ao banheiro neste momento. Mas infelizmente o banheiro dela me faz descer e subir 2 lances de escada, sem contar na caminhada incessante para que ela ache o local com o cheiro ideal para que ela faça suas necessidades fisiológicas. Vou cobrir a cozinha de jornal.

Esse fim de semana foi um tanto quanto produtivo. Trabalhei muito, e ainda vou tabalhar mais.
Me alimentei super mal como de costume. Ontem eu agredi meu corpo as 6 da matina, depois de ter passado exatas 10 horas em frente ao computador, trabalhando. Comi um super podrão que eu mesma fiz a base de pão francês, hamburguer, queijo prato, ovo e bacon. E cada vez que eu como algo do tipo eu sinto meu corpo, cada célula me falando o quanto vou me arrepender disso no futuro. Mas eu trato de ignorá-las e sigo em frente com minha orgia gastronômica.
Aliás, pão francês me lembra de quando fui morar em Santos, SP, e do terror que eu vivia para conseguir me comunicar com os habitantes daquela cidade.
Um dia comum, acho que era uma quarta-feira, meu pai me pediu que fosse à padaria para ele, comprar o pãozinho nosso de cada tarde. Claro que eu fui. Morava na cidade há menos de uma semana e estava começando a ficar entediada demais de ficar dentro de casa, porque simplesmente não conhecia uma alma sequer para tentar aplacar aquela solidão opcional. Então, segui para a padaria, que era mais ou menos há 300 metros da minha casa.
Quando cheguei ao local desejado, entrei na fila para pedir os pães, olhando para tudo ao meu redor, absorvendo cada fisionomia para tentar me sentir menos sozinha. E quando chegou a minha vez a novela começou:
- Boa tarde, me vê 10 franceses.
- O que?
- 10 franceses.
Achei que tinha articulado mal a palavra e repeti com calma.
- senhora, o que são 10 franceses.
Sofri alguns segundos de pânico. Meu Deus, como se compra pão nessa cidade???
- Aquele pão ali moça, aquele ali, que tá dentro daquele cesto – apontanto com uma certa irritação para o imenso cesto de pães que estava atrás dela. O único cesto de pães assados naquele momento, diga-se de passagam. Eu sou do Rio de Janeiro e não sei como pede pão ainda nessa cidade.
- Ahhhh!!! – acho que ela entendeu - a senhora quer esse aqui? – aponto para o ÚNICO cesto de pão presente no recinto – esse pão aqui se chama média.
- Média? Gente, se eu peço 10 médias no Rio o sujeito do bar vai rir da minha cara...

Peguei os os pães e saí da padaria, rindo de mim mesma.
Outra que passei foi quando as aulas começaram. Eu estava no primeiro ano do segundo grau, 16 anos, e era o patinho mais lindo da escola. Todo mundo conhecia “a carioca”. Eu era a diferente. As pessoas me perguntavam como o Rio de Janeiro era, como as praias eram, como as pessoas eram. Fui escolhida representante de turma, era mega popular. Particularmente eu amava, né? Quem me conhece sabe o quão leonina eu sou. Mas tinha uma professora de artes que realmente não gostava da minha popularidade, e tinha como meta de vida tentar acabar com a minha alegria. E frequentemente conseguia.
Certo dia esta “queridíssima” professora entra na sala e começa:
- Gente, anotem por favor o material que vocês precisam comprar. Nanquim, pincel... alguém já usou nanquim aqui?
Pra que eu ainda levantava a mão na aula dela?
- Eu, fessora.
- Pra que você usou nanquim?
- Eu desenhava de nanquim imagens na porta do meu armário, fessora, fica lindo!!
Tentando agradar a maldita velha.
- Pixação? É, você tem bem cara de quem faz isso mesmo.
Um fora em um aluno dessa idade causam ruídos na sala que te fazem querer abrir um buraco no chão e ir dormir na China.
- Continuando, nanquim, pincel e uma resma de sulfite.
Sulfite? Ai meu Deus, que merda é essa?
- Alguém tem dúvidas??
E lá estava minha mão no alto.
- Professora, o que é sulfite?
- Como assim, menina? Você não sabe o que é sulfite?
- É que no rio, fessora, deve ter outro nome.
- É, os cariocas são realmente desprovidos de inteligência.
Vocês conseguem imaginar o quanto eu ouvi durante os 3 anos de segundo grau por causa dessa desgraçada?
Tratei de tornar a vida dela um inferno durante esse tempo. Ah, sim... ela se arrependeu de ter se tornado professora.
E agora eu estudo pra isso....
Acho que mesmo sem feriado, vou me manter free-lancer...
E depois desse texto sem sentido, vou voltar ao trabalho. Não acordei a toa né?

Bom feriado para todos!!!

Mrs Lonely.

O fim de semana chega e traz junto com ele a solidão. Acho que sou a única pessoa do mundo que pede encarecidamente para que o fim de semana acabe. As certezas que o fim de semana me traz não são das melhores. Acho que durante a semana sou capaz de me enganar melhor, de acreditar em contos de fada mais veementemente, sou capaz de ser feliz com apenas uma ideia. Mas o fim de semana.... ah! Este é meu cruel inimigo. É ele que vem me mostrar que não estou vivendo realmente o que eu sonho, que estou apenas iludindo minha mente, ludibriando minhas verdades e enganando meu nobre vagabundo.
Me sinto bem. Não estou triste, estou apenas solitária. Meu telefone toca com menos frequencia, meu coração bate com menos força. As palavras que adoro ouvir não são proferidas, acordar é menos macio e mais real.
Na sexta a noite fui surpreendida com um telefonema no meio da madrugada – ok, confesso, já é sábado – dizendo as doces palavras que adoro ouvir. Uma música trouxe a alguém memórias sobre mim. Que delícia saber que isso acontece. Mas logo em seguida sou surpreendida novamente pela solidão. E ela está sempre sentada ao meu lado.

Não me entristece essa solidão. Na verdade está servindo de um ótimo abrigo. Estou me ferindo menos com expectativas, porque simplesmente as afasto de mim. Os sonhos não, mas as expectativas, as quero longe.
Conscientemente me contento com a chegada da segunda-feira. Ela trará novamente as certezas que os dias úteis me proporcionam. Falsas ou verdadeiras, os dias úteis me acalentam, suprem minhas carências, me fazem sentir-me aconchegada e querida. Chego a sentir-me até imprescindível.

Nada me parece mais real do que antes. Não adianta o que aconteca durante a semana, o fim de semana sempre é solitário. Por mais que a semana seja muito proveitosa para mim, o fim de semana chega para me mostrar meu verdadeiro lugar, meu verdadeiro papel. Temo que essa verdade se torne indestrutível. Apesar de sentí-la frequentemente, eu detesto essa solidão que me assola.

And this is how you remind me of what I really am.

E graças a Deus o Nickelback existe. E o Jason Mraz também.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Duas cenas

Hoje, no ônibus, voltando pra casa, eu vi duas cenas, separadas, que me fizeram parar um pouco meus pensamentos distantes naquele momento. Claro que essas cenas me paralisaram por conta da falta de bateria no meu Nextel e do meu aparelhinho eletrônico que toca músicas. Tadinho, que o deus dos aparelhinhos eletrônicos o tenha em um bom lugar.
Eu parei e analisei separadamente. A primeira cena era de um casal se beijando, em praça pública. Um beijo romântico, daqueles que se dobra o pescoço pro lado, suspira e pensa “que lindo”. O beijo não era sem pudor, era apaixonado.
A outra cena, uns 500 metros adiante era de outro casal, discutindo, ambos chorando. Ele se desculpando por algo que aparentemente não tinha feito e ela, irredutível, dizendo que ele tinha sim magoado ela com aquela atitude. Pude ouvir nitidamente o casal porque foi exatamente na hora que o motorista do ônibus parou no sinal. E também porque estiquei ao máximo meu ouvido para ouvir mais claramente aquela cena.
Pensei em quantas vezes o segundo casal não jurou amor eterno e em quantas vezes o primeiro casal ainda há de discutir daquela forma. Não estou agourando o namoro de ninguém. Estou apenas constatando fatos, porque fatalmente, inevitavelmente e invariavelmente isso acontecerá. É raro encontrarmos um amor que prolongue-se sem que injustiças sejam feitas, sem que brigas sejam criadas, sem que mágoas se tornem rachaduras.
Os amores passam. Eles vêm e se mostram arrebatadoramente eternos e logo em seguida, como num piscar de olhos, acabam sem deixar dúvidas de que voltará nem vestígios de sua existência. Por mais que hesitemos em acreditar que isso possa acontecer conosco. Acotence!
Em muitos momentos pensamos sentir mais do que realmente sentimos. Nos enganamos. Inconscientemente, talvez. Ou conscientemente. Na verdade isso não importa muito tendo em vista de que, de uma forma ou de outra, acabaremos como o segundo casal, discutindo e colocando um fim concreto em algo que antes fazia mais sentido do que o azul do céu.
Não há o que possamos fazer. Por isso, acredito tão veementemente que devemos buscar o que mais se assemelha conosco. Incompatibilidade de gênios é o segundo passo do ditado “os opostos se atraem”.
Não gente, não estou dando uma visão pessimista aos relacionamentos. Vivi alguns maravilhosos, inesquecíveis. Estou tentando entender, como tento sempre, o que acontece na cabeça de alguém que divide sua intimidade com você durante certo tempo e depois te trata como um estranho, sem a menor necessidade.
O segundo casal se amava. Mesmo. Se não, não estariam chorando da maneira que eles estavam. Não estou defendendo o rapaz. E Deus me livre tentar julgar as atitudes da moça. Estou falando que em alguns casos devemos buscar a verdade no olhar das pessoas para tentarmos desvendar os mistérios que circundam as situações inevitavelmente ruins que são criadas. Mas devemos tentar se valer de fato a pena, e não somente para satisfazer um ego idiota, ou um sentimento infundado.

Eu estou feliz. A primeira cena marcou tanto quanto a segunda. A paixão vem, assola, arrebata, aquece. E a dor que ela causa quando um fim estanho acontece não é maior que o prazer que ela proporcionou. De forma alguma.

Que venha outra paixão. Para mim e para todos que lerem esta pequena reflexão.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Eternas escolhas

Filmes realmente me inspiram. Mesmo. Me fazem pensar na vida. Fútil ou não, me fazem pensar. Talvez seja demais para qualquer pessoa que um filme do Zac Efron (é assim que escreve?) me faça pensar na vida. Mas me fez.


Se você tivesse a oportunidade de mudar o rumo da sua vida? Se você tivesse aquela segunda chance que você sempre fala que queria ter? Aquela, naquele momento crucial da sua vida que você tomou a decisão que hoje considera errada.

O que você faria?

Você dirá, sem pestanejar, que faria tudo diferente. Que faria o que não fez. Que mudaria o seu destino.
Engano seu. Pelo menos, se eu proferir essas palavras será engano meu.

Tudo que se vive, todas as escolhas, todas as chances aproveitadas ou não, tudo nos prepara para sermos os seres que somos hoje. Para termos o caráter que temos, para aprendermos a tomar a decisão que melhor nos couber.

Se erramos ou não, naquele momento crucial da nossa vida, não sabemos ao certo. Talvez a alternativa que não seguimos não fosse dar em nada também. Por experiência, não vale a pena culpar o passado pela falta de competência presente. Você é o que você escolhe ser. Você é o que você quer ser.

Utopico? Que nada! Realidade. Nua e crua.

Escolher entre dois empregos, escolher entre dois amores, escolher. Temos eternamente escolher. Desde optar entre quarteirão com queijo e cheddar mc melt até optar se devemos continuar entregando nossos mais puros sentimentos àquela pessoa que aparentemente não nos dá o valor que precisamos. Tudo na vida é escolha.

O que nos basta entender que não há certo e errado. Há dois caminhos a se seguir. Talvez um deles seja uma linha reta, direta ao ponto que desejamos e o outro seja uma estrada cariada, dolorosa e traumatizante. Não importa. Importa é que os dois nos direcionam para o mesmo lugar: nosso crescimento e desenvolvimento como seres humanos. Como seres pensantes.
Toda e qualquer decisâo nos leva a ser o que somos, a acreditar no que acreditamos.

O que as diferencia são as cicatrizes que estarão presentes em nós.

Mas essas cicatrizes você nunca poderá comparar.
Então, nos basta crer que somos o que queremos ser. E acreditar nisso para que possamos mudar os prognósticos que não nos agradam e conseguirmos sorrir mesmo com tantas marcas...

domingo, 23 de agosto de 2009

Fora de mim

Estou um pouco assustada hoje. E transformando esse blog em praticamente um diário pessoal. Mas, pra que mais serviria? Não sou uma escritora, muito menos famosa. Não creio que muitas pessoas frequentem essa página a ponto de notar a diferença sutil entre uma crônica em terceira pessoa e um desabafo para evitar uma explosão interna. Então, me resta, como sempre, escrever o que eu sinto.
Como comecei, estou me sentindo um tanto quanto assutada hoje. Na verdade estou assustada por enxergar uma realidade que eu acreditava que jamais enxergaria. Estou crescendo. Duro admitir, mas estou.
Vejo as pessoas ao meu redor, todas com uma dor imensa no peito. Todas com uma angústia interminável, todas sofrendo as dores de um grande amor perdido, da ausência dos pais, da falta de carinho. E eu simplesmente nada sinto. Nada. Isso, ausência de alguma coisa.
Minha família por mais louca e conturbada me ama da maneira que sou. Vivi um grande amor que se foi, partiu sem deixar vestígios de que voltaria. E como sempre afirmo, sou muito bem resolvida quanto a isso. Quer quer, não quer, paciência. Apaixonei-me por uma mulher que agora não pretende ser de outra pessoa a não ser de quem foi a vencedora de seu adorável coração. E por mais que eu gaste horas escrevendo cartas e direcionando pensamentos, nada muda isso. E eu estou até me acostumando a essa situação.
Na minha vida nada me abala a não ser a falta de emprego que me assola. A única coisa hoje que me desespera é a falta de dinheiro.
Eu vejo pessoas que amo incondicionalmente sofrerem por situações que elas mesmas buscaram. Por falta de coragem ou de bom senso. Não cabe a mim julgar os motivos, mas as vejo da mesma forma, sofrendo e internalizando esse sofrimento. Transformando-os em patologias que, se não forem devidamente cuidadas, poderão levá-las de meu convívio.
E infelizmente eu nada posso fazer em relação a isso. Nada. Eu tenho que somente assistir e tentar amenizar as coisas, mostrando o quão foda essas pessoas são, a enorme diferença que elas fazem na minha vida e como eu me sinto bem perto delas.
Tem amigo que vai embora e deixa a saudade e a amizade por perto. Tem amigo que volta pra perto e parece que nunca esteve longe.
E eu não me abalo.
É como se eu tivesse atingido um ponto da minha vida em que eu estivesse fora do meu corpo, olhando as situações e enxergando a frente, vendo adiante, e tentando prevenir agora o mal que vem depois.
Pros outros.
Porque pra mim, de verdade, o que falta é um emprego.
O que vier a mais, é lucro. Simplesmente porque não estou esperando...
É... talvez o lítio esteja fazendo falta.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

To precisando de um colo, daqueles quentes e aconchegantes.
Que me ajude a esquecer essa maldita dor alucinante.
Essa fraqueza que me dá quando eu sinto que não to aguentando.
Essa falta de assunto, e todos sempre me julgando.
Eu só quero atenção, respeito, silêncio.
Chorar até lavar a alma do medo que sinto.
De estar crescendo e não saber mais como.
De partir e voltar pra sempre nesse desencanto.
To com saudade do cheiro, do calor, do sorriso.
Dos dias de sol. Da falta de feridas.
De crer ao olhar, de ter alguma certeza.
De sonhar acordada e realizar minhas escolhas.
De saber que é fácil porque eu me tenho e a ti.
Era simples antigamente, porque agora complicou tanto?
To me sentindo à deriva e muito sozinha.
Não que eu não me baste, mas sempre preferi somar
Prefiro companhia à solidão.
O problema é sempre querer me acompanhar
Aqueles que de fato não vão suportar
A pressão de estar com alguém como eu
Que sente, que sofre, que ama
Alguém de verdade e em busca...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

É simples.
Ao teu lado não há fronteiras
Me entrego, mesmo contra vontade
Teu olhar me leva mais longe

É simples
Teus olhos me mostram verdade
Teu toque me mostra a vontade
Que eu tenho de mantê-lo por perto

É simples
Não consigo pensar em passado
E futuro eu deixo de lado
Pra fazer um agora concreto

É simples
Me perdi no detalhe encontrado
Me perdi no sorriso encantado
Me encontrei e te reencontrei...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Seria trágico, se não fosse cômico.
Seria perfeito, se não fosse platônico.
Seria fácil, se não fosse imenso.
Seria inútil, se não fosse sincero.

Seria eu, se não fosse nós.
Seria nós, se não fosse ela.
Seria um sonho, se não fosse dormindo.
Seria seguro, se não fosse indomável.

Seria tanto, se não fosse impossível.
Seria pranto, se não fosse honesto.
Seria enquanto, se não fosse perdido.
Seria agora, se não fosse confuso.

Seria real, se não fosse pretensão.
Seria conquista, se não fosse intenção.
Seria eterno, se não fosse apagado.
Seria sincero, se não fosse findado.

Seria e seria.
Há sempre um pretérito
Pro futuro instável.
Há sempre um demérito
Por ser indomável
Há sempre um seria...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Não se sinta um fantasma

Não se sinta um fantasma. A vida te sorri com uns poucos e bons amigos, alguns imensos amores e outras súbitas paixões. Se acrescentar uma louca família e um pouco de bipolaridade, você tem a medida perfeita para a plena felicidade.
Você errou muito. Errou e aprendeu. Errou e desaprendeu. Acertou e não deu em nada. O que importa?
Você está viva, lutando contra a maré. Se desapengando aos poucos de velhos hábitos. Se prendendo a novos que te foram mostrados. Talvez mais saudáveis. Ou não. Mudar é o que importa. Mudar o que não te convém. Viver o que você acredita. Viver a verdade.
Aprendi também que eu preciso viver cada minuto, porque viver o minuto interessa muito mais. Descobre-se muito mais. Pelo menos funciona para mim.
Eu sou essa. Me apaixono pelos menores detalhes. Ou pelas maiores mulheres. Ou por olhares daqueles que te tiram o ar. Inocentes? Podem até ser. Mas tiram o ar da mesma forma. Hoje eu me sinto vivendo. Tá tudo errado, mas me sinto em paz. Estou sem emprego, mas estou em paz. Porque estou aprendendo que nem sempre precisa-se de uma tormenta para enxergar um sentimento. Ele vem tranquilo, me conquistando. Me fazendo ver que conquistar e ser conquistado é mais real do que ter de graça. Ter de graça tem seu charme, mas conquistar dá um ar de vitória.

Não se sinta um fantasma. A vida te mostra que as palavras são como ferro em brasa. Elas marcam. E com isso você aprende. Você aprende a medi-las. A escolhê-las. A colhê-las da melhor horta que você tem. Porque definitivamente você não quer maltratar ninguém da forma como foi.

Não se sinta um fantasma. Não seja um fantasma. Seja você. Sempre. E agrade a si mesma e logo todos verão...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Acontece...

Tinha que ser assim, do jeito que foi. Foi como uma tormenta, uma alucinação, uma visão.

Tudo mudou num passe de mágica, tudo coloriu, tudo reviveu.

Como pode acontecer dessa forma, assim, do nada?

Eu não esperava e nem precisava de nada disso.

É só retomar o controle e tudo muda.

As mãos, o sorriso, a nuca. Tudo guardado. Tudo no melhor lugar.

É forte, eu sei. Eu olho e enxergo exatamente o que poderia ser. Poderia ser tudo. Poderia ser todos os dias enquanto os dias ainda insistissem em nascer. Eterno é agora. É momento. É um segundo. Poucos são os que apreciam e entendem a beleza do momento ou as peças que o destino prega.

É cansativo ter que estar sem você agora.

Não. Não era pra ser assim.

Ou era. Não importa. Foi exatamente assim e não há como alterar. Ignorar os fatos não os altera. Eu li isso em algum lugar.

Desabafo. Explosão. Transbordamento. Chame do que quiser. Eu chamo de desejo de proferir essas palavras, olhos nos olhos. Um dia, eu espero. Enquanto fizer sentido...

domingo, 28 de junho de 2009

Você é capaz de enxergar beleza nos menores detalhes?
Você é capaz de enxergar os detalhes?

Certa vez eu estava conversando com uma pessoa muito especial para mim, daquelas que você faz tudo que está dentro do possível para ver feliz. E do impossível também. Ela estava muito deprimida, passando por um momento muito conturbado da sua vida e me falava que não era mais capaz de enxergar beleza no seu dia a dia. Não sentia mais prazer no que fazia. Não apreciava mais a sua própria companhia. Hoje, na verdade, eu não sei mais bem se o que ela estava me dizendo era uma tentativa de justificar as suas atitudes ou se realmente ela estava passando por tudo aquilo que descrevia. E nem me importa, sinceramente. O que me importa é que aquela conversa estava me fazendo reavaliar muitas situações que eu vivera até aquele momento. Fazendo-me refletir sobre as atitudes que eu tomara ao longo dos tempos.
Você já parou para notar quantas coisas belas deixamos passar em nossa vida por pura falta de atenção?
Amores, amigos, o nascer do sol, um pedido de nossa mãe, um sorriso gratuito, uma declaração de amor, mesmo que implícita...
Quantas vezes não percebemos que estamos permitindo que a nossa felicidade passe sem nem percebermos que ali mora o que mais desejamos para a nossa vida?
Isso acontece. A toda hora. Não podemos nos prender a tudo de bom que passou na nossa vida se não fomos estruturados o suficiente para entender que aquilo nos bastava. Precisamos entender isso sem dor. Entender para crescer, para mudar.
E como podemos mudar essa atitude? Somos incertos, inconstantes, imprecisos. Somos seres humanos. Estamos em busca de crescimento, em busca de aperfeiçoamento. Estamos criando nossas estruturas, nossas bases e muitas vezes não percebemos que perdemos a chance da nossa vida simplesmente porque não damos o real valor que as coisas merecem. Que as pessoas merecem. E muitas vezes sentimos que não temos o mesmo valor, a reciprocidade do sentimento que entregamos para o outro.
Culpados? Não há. Não podemos culpar alguém por nos deixar passar, como não é justo sermos culpados por não podermos doar à todas as situações as mesmas atenções que doamos para algumas ocasiões. Mesmo que erradas.
O que podemos fazer para tentar melhorar esse infeliz fato é acreditar nos sinais e seguir nossa intuição. Uma amiga me disse isso e na hora eu não prestei muita atenção. Mas agora isso faz muito sentido.
Infelizmente tudo passa. O que é ruim e o que é bom. Nada pode impedir que passe. Todo sentimento, bom ou ruim, precisa ser nutrido. E para nutrir, você tem que prestar muita atenção nos pequenos detalhes...

O leão está ferido.

Por favor, acudam. O leão está ferido.
Ele está caído na selva, debaixo de um sol quente e não consegue se levantar.
Ele está muito ferido, sem forças, adoecido.
O chão embaixo de seu corpo é seu único amigo. É o chão que está aparando a sua queda.
Dessa vez o leão não acertou em sua escolha. Aventurou-se em uma nova caça acreditando que esta o alimentaria por mais tempo que as outras anteriores. Investiu todas as suas forças atrás aquela presa. Ele não foi capaz de identificar desta vez que estava com sua atenção desfocada por conta de seu faro. O cheiro que emanava daquela presa havia hipnotizado sua atenção a ponto de fazê-lo crer que aquela era a sua única opção. E o leão atacou.
A presa, aparentemente indefesa, não se assustou com o leão. Muito pelo contrário. Mostrou para o rei dos animais que ao lado dela eles dois eram imbatíveis. O leão estava completamente dominado pelo seu olfato e aprendeu a gostar de caminhar junto com ela. Ambos eram perfeitos. Todos comentavam. Ele estava mais forte que nunca, mais ágil que nunca, mais feliz do que nunca. Suas companheiras leoas confirmavam que nunca viram tamanha felicidade no olhar do leão.
Um dia, ao voltar de uma caçada com alimento suficiente para os dois, ele não a encontrou. Ele passou meses, anos correndo pela floresta e não conseguia mais encontrá-la.
Em uma busca num território distante do que habitavam, o leão a viu de longe. Ela estava feliz. Tinha formado uma família com um animal de sua espécie, estava sorridente. Estava realmente feliz.
Ele correu de volta para a sua casa sem perguntar nada para ela. Tornou a correr meses e meses sem parar. Não parava para se alimentar.

Agora ele encontrava-se deitado naquele chão, debaixo de um sol escaldante, sofrendo as dores de sua inconseqüência. Suas feridas não eram aparentes. Ele estava amargurado. Sentia-se o ser mais infeliz da selva. Não sentia felicidade alguma palpitando em seu peito. Não sentia nem seu dolorido coração.
Ela estava feliz. E ele simplesmente não conseguia ser feliz sem ela...

sábado, 27 de junho de 2009

Pode tentar querida, você não há de ser nada para ninguém..

Essa voz ecoa todos os dias na minha cabeça e eu tento ferrenhamente apagá-la com qualquer outro som. Vozes antigas, vozes novas, amigos, paixão.
Eu acordo cedo, eu acordo tarde, eu sonho com a música, eu procuro emprego. Eu me pego em minha fé, eu desacredito de tudo. Mas nada, nada há de fazer com que essa maldita voz se cale.
Eu corro ou fico parada, tanto faz. Lá está ela, dentro da minha cabeça, dentro da minha casa, atazanando meu juízo, incomodando meus melhores sentimentos.
Desacredito de tudo. Até do que mais prezo.
Tenho medo de todas as pessoas, do que eu posso permitir que elas façam comigo. Nem sempre elas fazem, mas o que aconteceu anteriormente não se apaga. Por nada.
E voz volta a ecoar.
Dentro de casa, dentro da vida.
Me permito tudo. Me permito sempre. Me permito mudar ou ser a mais inflexível.
Mas do que adianta, sinceramente?
Nada acontece.
Por mais que eu tente.
Por mais que eu sorria querendo chorar, por mais que eu brinque querendo reclamar.
Por mais que meu peito exploda e eu esconda essa explosão com carinho. Ele ta lá, explodindo, e nada muda isso.
Eu olho, eu vejo, eu sonho, eu tento.
Eu me afogo em ilusões, eu me basto com a realidade.
Eu leio, eu escrevo, eu canto, eu berro.
Mas ela ecoa toda hora.
Me sinto doente, me sinto saudável.
Me julgam de tudo, não me enxergam de fato.
Ou sou eu quem não sabe realmente se mostrar?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A procura do manual...

Eu acho que mulher deveria vir com manual de instrução. Ou talvez um aparelhinho modernamente tecnológico que pudesse te mostrar se há uma real compatibilidade entre vocês ou se tudo o que vocês estão sentindo é só mais uma paixão de ocasião. Porque você sabe que não está mais querendo se entregar para uma aventura e que frustrar-se novamente seria quase como encarar a morte, afinal de contas, você pensa em se estruturar, em encontrar aquela com quem você vai dividir as contas e as felicidades.
E então, naquele diazinho chato sem nada divertido para fazer você recebe um convite inesperado e conhece aquela menina linda, com um sorriso incrível e pronto! Aquele sorriso incrível te convence que vocês se encontraram para viver uma vida juntos. Gostam das mesmas coisas, são absurdamente parecidos. Viveram situações que deixaram ambos com medo das pessoas que os circundam. Vivem uma linda e breve história de amor e em pouco tempo você está sentado em frente ao seu PC, escrevendo textos como esse porque tomou um legítimo pé na bunda.
É claro que não que não há quem se possa culpar nesses casos. Vocês realmente se encontraram para viver uma vida juntos. A única coisa que você esqueceu de perguntar foi qual vida! Essa? A próxima? Qual encarnação mesmo que você estava se referindo?
E caso os dois sejam espiritualistas essa é uma declaração de amor vaga demais. Por favor, né?

O que realmente acontece na cabeça das pessoas? Você vive se perguntando...

Talvez você precise de uma auto-analise – essa nova regra tá me destruindo...como escreve isso agora mesmo, hein? – para tentar ver se o erro não está em você.
Não adianta!
Convença-se: não existe príncipe encantado com cavalo branco – nem princesa encantada com dote milionário. Existe é a pessoa que você escolheu e vai ter que amar com defeitos e qualidades. Porque se os defeitos superarem as qualidades você deve terminar esse relacionamento o mais rápido possível, sem medo de se prender por achar que não vai encontrar um novo amor.
Você sempre deve parar e analisar para tentar notar se o que você exige daquela pessoa é demais para ela agüentar. Repara se você não está neurótica. E tenta avaliar se aquela pessoa espera e deseja de você o que você espera e deseja dela. Desejos e expectativas diferentes também são um fator importantíssimo para o bom andamento de um relacionamento. Não adianta nada você pensar em fondue quando o outro quer comer caldo verde.
Caso a pessoa com quem você está se relacionado seja
permissiva demais a culpa de um possível fim não é inteiramente sua. Mas por favor, tente maneirar nas suas exigências, ok?
Eu repito: Não ache que o ser amado cederá a todas as suas expectativas, atenderá a todos os seus sonhos nem realizará todas as suas vontades. Acreditar que isso acontecerá é um pré-requisito – Deus, estou ficando burra, não sei mais escrever – para você se tornar uma aspirante à escritora, semi frustrada, que só sabe tentar analisar a vida ou então reclamar dela.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Pra crescer tem que ser grande!

Você nota a diferença. Não tem jeito. Por mais que você lute contra, ela grita na sua cara.
Quando éramos mais novos ríamos do que os mais velhos diziam ao se referirem sobre o peso que a idade trás. Ríamos e dizíamos que isso jamais aconteceria conosco. Doce engano.
Acontece com todos e em dado momento você repara que não tem mais a vitalidade dos 17, nem a inconsequência dos 19. Você repara que seus gostos para os programas mudaram e que você prefere muito mais o conforto de um bom restaurante do que a barulheira de uma boate lotada. Você sabe conversar, afinal de contas, e quer ouvir e ser ouvido, não é mesmo?! Você prefere conversar do que se perder no meio daquelas pessoas todas suadas, com aquela música extremamente alta depois de um dia cansativo de trabalho. Claro que uma boate de vez em quando ainda funciona, dançar, curtir com os amigos... Mas você vai ter que escolher entre sair na sexta-feira, depois de um dia inteiro de trabalho e estresse, tendo acordado super cedo ou passar o domingo inteiro de bode, deitada, sentindo o peso do mundo nas pernas, e ainda com os ouvidos zunindo por causa da altura que a música toca. Sem contar o cheiro de cigarro entranhado até na sua alma e, convenhamos, por mais que você fume, esse cheiro nunca é agradável.
Você nota a diferença quando almoço do horário de expediente vira evento. Aquele amigo que você não vê há tempos te liga e o programa que vocês dois têm disponibilidade de tempo para marcar é uma almoço no horário do expediente. Ele tem faculdade depois do trabalho e você ta fazendo aquele curso de especialização que você precisa fazer para manter seu estável emprego.
E sabe por que você não vê esse seu amigo há tempos? Porque agora vocês trabalham todos os dias de 9:00 as 18:00 e depois estudam de 18:20 às 22:40 e quando chegam em casa ainda fazem trabalhos da faculdade, estudam, comem, dormem. Porque nos fins de semana você tem que estudar pras provas da faculdade, porque seu o chefe te pediu pra apresentar um relatório enorme na segunda-feira ou porque simplesmente você precisa dormir até não acordar mais pra tentar descansar da semana bizarra que você teve, afinal de contas, você ainda é um ser humano.
É a idade que namorar tem um peso muito maior porque todo mundo te cobra se você vai se casar ou se vai continuar enrolando a moça.
Você repara. Simplesmente nota. É assim que acontece. Você nota que um dia dormiu inconseqüente e dono do mundo e que agora não quer mais ser mártir de nada. Que agora você ouve sua mãe falar e se sente culpado por não dar satisfação a ela naquele dia que esticou com a galera do trabalho e já está tarde. Porque ta tudo muito violento e deixar a velha em casa preocupada não faz mais parte da sua rotina de vida. Porque agora você enxerga a violência.

Porque a vida é assim. E ter o discernimento de curtir cada fase dela, a seu tempo, é a melhor parte de tudo isso.
Ser adulto é um saco, eu confesso. Todas as responsabilidades de ser um adulto são mais chatas ainda. Mas se entendermos que crescer não significa perder a juventude tudo se torna mais fácil de levar. Que não se precisa parar de brincar para ser adulto, e sim para de levar tudo na brincadeira...
E que para crescer, você tem que ser grande.


Esse relato vem de uma autêntica sofredora da síndrome de Peter Pan que está passando pela crise da meia idade aos 27 anos.

sábado, 20 de junho de 2009

La mia cantante...

Pelo telefone era fácil. Era como se eu pudesse me resguardar de todo o perigo que eu correria ao encontrar-me pessoalmente com ela. Trocamos algumas provocações, algumas declarações, algumas confissões. Estávamos nos conhecendo e nos encantando com as semelhanças. Era irreal, mas até o nosso aniversário era no mesmo dia.
Então resolvemos marcar de finalmente nos encontrar. Eu estava impressionantemente nervosa. Estava evitando colocar-me em risco havia algum tempo. Essa era mais uma das decisões que eu tinha tomado como resoluções para o ano novo.
Tomei a barca e rumei para o ponto de encontro. Coração na mão. Eu não entendia o porquê desse nervosismo. A conhecia apenas há uma semana, a situação era completamente contraria a qualquer romance. Mas eu ia. Caminhava esperando encontrá-la como havia desejado a semana toda desde aquele recado que recebi com o número do seu telefone.
Cheguei ao local onde combinamos. Ela estava lá. Só a visão já me agradou. Ela estava linda. Queimada de praia, de óculos escuros, cabelo milimetricamente penteado. Quando a vi meu coração saltou como se a conhecesse há anos e não a visse há tempos. Nos abraçamos. Pronto. Estava feito. Aquele cheiro me tomou de dentro para fora. Me perturbou o juízo, me alucinou. Me tirou do meu prumo e da minha realidade. Me acalmou e me acelerou. Não queria largar o abraço, mas seria impossível tendo em vista que nos encontramos no meio de uma praça pública do Rio de Janeiro, com centenas de pessoas ao redor.
Nos dirigimos ao ponto de ônibus pois iríamos para a casa dela. Eu não sabia sinceramente o que estava fazendo indo para a casa de uma estranha. A única coisa que sabia era que não queria ficar mais um minuto sem aquele cheiro.
Chegamos a sua casa. Ela se desculpou pela bagunça, mas não podia saber que meu olhar estava perdido em seu corpo, seus lábios, seu jeito. Na primeira oportunidade que tive tratei de me aproximar o suficiente para que ela entendesse que naquele momento tudo que eu desejava era seu beijo. E ela entendeu. Nos beijamos. E lá estava eu novamente próxima ao seu cheiro. E impressionantemente seu beijo era o complemento para seu cheiro. Dormimos agarradas. Claro. Eu não podia ficar longe daquele perfume. Era a sua pele. Era seu toque. Era como uma manhã de domingo ensolarado. E frio. Era a minha paz.
O despertador tocou me arracando de meu sono. Estava tarde, 7:30 da manhã. Hora de ir trabalhar. Olhei para um lado, para o outro e entendi o que estava acontecendo. O cheiro, o beijo, o toque. Me desesperei, mas entendi que tudo não passara de um sonho. Um lindo sonho de felicidade. E naquele sonho eu vivi intensamente tudo que o amor pôde me proporcionar. Vivi intensamente um amor de verdade...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

As cordas subiram, a âncora foi içada, a nau desaportou.
Talvez chamemos de âncora o encanto que outrora existira.
Talvez chamemos de grande o amor que outrora tivera.
Só não se deve permitir que se navegue na incerteza.

O caminho é longo e a embarcação percorrerá
Sem dores tristes das lembranças passadas
Sem lágrimas febris de vontades não conquistadas.
E sim com sorriso da felicidade infantil.

Porque a nau sempre continua
Ela caminha buscando seu porto
Chamando de grande o abrigo oferecido

Incessante caminho, percorre, serena
Sentindo que o porto a frente se encontra
E âncora em breve volta pra água...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Fevereiro, junho, valentim, santo antonio...

Dia dos namorados, data infeliz para todos os encalhados de plantão. Porque mesmo sendo uma data puramente comercial, este dia vem para esfregar na cara o tal encalhamento. É o dia em que você acha que todos no mundo estão namorando. E não importa para onde você olhe. sempre tem um casal apaixonado fazendo alguma idiotice que te faz sentir vontade de vomitar. Mas é uma vontade externa, só aparente. Porque no fundinho da alma, lá naquele cantinho escondido dentro, você está louca pra falar um monte de idiotices, com voz de bebê, chamando o ser amado de titiquinha, macaquinha e qualquer outro inha que seja bem ridículo.
É aquele dia que você queria mesmo era ir a um shopping enorme, entupido de gente, que te faz pensar que toda a população do Rio de Janeiro decidiu ir para o mesmo shopping que você. Você quer mesmo é enfrentar as filas homéricas no estacionamento quente e lotado. Quer ser parte integrante daquele aglomerado peculiar de pessoas em frente ao McDonald’s, ouvir a gritaria incessantes dos pobres atendentes que precisam ser ouvidos: “SAI UM NÚMERO 2 COM BATATA MÉDIA E COCA-ZERO”, com um carrinho de bebê batendo na sua canela porque o pai está olhando pro lado esquerdo, onde uma morena gostosa está passando e a mãe ta no celular falando com a prima da tia da colega de trabalho pra pegar uma receita de corvina ao molho de camarão pra fazer no domingo para a sogra.
É nesse inferno que você quer entrar para gastar o que lhe sobrou do pagamento do mês naquele casaco (ou tênis, ou um outro objeto qualquer) só porque você ouviu um dia, há 3 meses atrás, que a pessoa queria aquele casaco (ou tênis, ou um outro objeto qualquer). E é o restante do seu pagamento, todo o dinheiro que você tem naquele momento porque você faz questão que seja algo bem caro, bem expansivo. Como se isso fosse fazer seu amor amar-te eternamente.

Aqui no Brasil comemoramos o dia dos namorados em junho. E há uma explicação muito lógica para isso. Todos os meses do ano são compostos de pelo menos uma data comercialmente importante. Dia das mães, dia dos pais, dia do amigo, dia da avó, férias, páscoa, dia das crianças... E em junho? Você vai pular a fogueira de São João e se dar por satisfeito? Ou ir à uma quermesse de Igreja e se sentir feliz?
Pensa comigo: Quais as datas comemorativas que vendem mais? Os Dias né? Dia das mães, dia dos pais, dia das crianças.... Em fevereiro, quando originalmente comemora-se o dia dos namorados – explicações aprofundadas no parágrafo abaixo – aqui no Brasil tem o tão esperado e comemorado carnaval, correto? Sim, claro! O dia das mães é em maio. O dia dos pais só em agosto. Entre maio e agosto ainda moram junho e julho. 2 meses que afastam o comércio de se manter em alta. Mas julho são as férias escolares, que geralmenta ajuda porque para sanar a carência dos filhos os pais gastam rios de dinheiro. E em junho? Vamos fazer todos os casais gastarem dinheiro com jóias, perfumes, roupas, jantares, flores, chocolates, cinemas e motéis, pensaram, em algum momento, os comerciantes.
Há quem diga que aqui no Brasil o dia dos namorados é comemorado em junho por conta da festa de santo Antônio, o santo casamenteiro. Meu Deus, se for por isso é mais de mal gosto ainda, não concordam?
A mulherada encalhadona, fazendo promessa, novena, oração, macumba, amarração... Tudo para tentar melhorar sua situação afetiva de alguma forma. O pobre do santo é afogado, virado de cabeça pra baixo. Fazem as mais diversas maluquices e baixarias por conta de um grande amor. E ainda me colocam a data mais depressiva do ano para os encalhados de plantão justamente no dia anterior ao dia do santo casamenteiroo? Prefiro acreditar que é puramente comercial o motivo. Porque ou os responsáveis pela comemoração dos dias dos namorados queriam matar as solteironas de vez, ou queriam incendiar as igrejas com todas as velas que são acesas, ou queriam ver todas as encruzilhadas da cidade repletas das mais variadas macumbas possíveis.

Historicamente falando, dia dos namorados é comemorado dia 14 de fevereiro, dia de são Valentim.
São Valentim foi um bispo romano que, contrariando as imposições do imperador Cláudio II, continuou celebrando casamentos, mesmo tendo sido proibido pelo seu imperador. Mas são Valentim não queria saber disso não. Ele queria mais era celebrar o amor entre os que se amavam. Claro que foi descoberto em suas práticas e condenado à morte. Enquanto estava na cadeia esperando a morte chegar, ele recebia flores e cartas dos jovens dizendo que ainda acreditavam no amor. Certa vez recebeu uma carta de uma moça cega, filha de um dos carcereiro, que, por sua vez, certamente estava predestinado a vir brasileiro em alguma encarnação, arrumou um jeitinho para a filha encontrar o amoroso Valentim. Ela encontrou-o, os dois se apaixonaram e ela recuperou a visão. Mas infelizmente nada impediu que a cabeça de Valentim continuasse no lugar e ele foi decapitado dia 14 de fevereiro de 270 d.C.

Recalques à parte, celebre o dia dos namorados, mas por favor, não dê tanto mérito assim para ele. É apenas uma data. Não se permita sofrer horrendamente por apenas esse dia. Valorize o que há de ser valorizado. Você namorou o ano inteiro... não se desespere de estar solteiro nesta data! A vida é curta minha gente. Temos muito que aproveitar. E se hoje é dia dos namorados e você está aí, curtindo a maior fossa, mude. Tome um banho daqueles, coloque uma bela roupa e vá para o shopping que citei acima. Quem sabe seu conto de fadas não está por lá....

terça-feira, 2 de junho de 2009

Presa ao Presente

De repente, ao tentar enxergar seu futuro, você não consegue ver nada.
E olha para trás, tentando enxergar seu passado e o mesmo acontece.
Encare a realidade: você está presa ao presente.

Uma prisão um tanto quanto interessante, se for avaliada pelo prisma de quem quer realmente enxergar a sua volta.

Permitir que o que passou atrapalhe o que está por vir nada mais é do que permanecer vivendo eternamente aquilo que menos se queria ter vivido. É repetir os erros, é não aceitar o amadurecimento. É simplesmente não viver.

Querer acelerar que o que está por vir também não permite que você olhe para o hoje com os olhos de enxergar. É manter-se preso a expectativas, a sonhos. Deve-se sonhar sim, deve-se sonhar sempre. Entretanto, deve-se também ter em mente que metas irreais angustiam e quem nem sempre pode se ter tudo o que se deseja. Nem sempre se conquista um sonho. É natural, faz parte das frustrações naturais da vida e ninguém há de perder as esperanças porque sofreu uma ligeira frustração. Tudo bem, a frustração pode ter sido enorme, mas convenhamos que o sonho deve ter sido inversamente proporcional, concorda?
Viva. Ame. Doe-se. Magoe-se. Aprenda. Doe-se novamente.

Não importa quantas vezes se tenta, o que importa de verdade é tentar com o coração puro e aberto às novas experiências que estão abrindo-se à sua frente.

Sonhe.
Sonhe o irreal e o improvável, mas saiba discernir o que tem ou não chances palpáveis de acontecer para que a queda não provoque danos irreparáveis.
Não perca tempo querendo discutir ou entender de onde os sentimentos vêm. Sinta-os. Invariavelmente eles mudarão ou até deixarão de existir, sendo um tanto mais drástica. E em algum dia você se pegará pensando em como teria sido bom conseguir viver aquele sentimento no tempo certo dele ter acontecido.

Não procure o que você realmente não quer saber. Tenha senso de auto preservação. Você acha que seu coração suporta mais simplesmente porque seus ouvidos querem ouvir uma verdade que você criou.


Conselhos?
Talvez não. Talvez eu tenha me prendido ao presente e esteja colocando para fora o que me faz mal do passado....



PROBLEMA ou FATO

Em mais uma de minhas incansáveis buscas no profano interior de minha mente, ontem, me ocorreu uma idéia que quero dividir com todos. Na verdade essa idéia faz parte de meus pensamentos desde que me entendo por gente, mas ontem decidi dividí-la para saber se sou incoerente demais, louca demais ou com tempo ocioso demais.
Eu estava analisando a sutil – e importantíssima – diferença entre um problema e um fato. Tenhamos em mente que precisamos analisar no senso comum, no geral. Analisar cada caso levaria uma eternidade, e convenhamos, esta nem se trata de uma teoria que modificará o mundo. Talvez a proposta dela seja aumentar a possibilidade de tentarmos modificar a maneira como encaramos nossa vida. Talvez um “brincar de Poliana” dos tempos hodiernos. Uma perspectiva mais “pra frentex” das merdas que acontecem conosco.
Vamos lá.
Você consegue definir para mim o que é um problema? Ou um fato?
Tenho para mim que problema é toda situação que requer solução. Seja ela fácil ou difícil, rápida ou demorada. Mas há uma solução. Sempre há. Quando um problema não tem solução automaticamente ele deixa de ser um problema e passa a ser um fato, ou seja, algo que irreparavelmente vai acontecer, faço o que fizer. Deixo claro aqui que nem fato e nem problema são ruins ou bons. Às vezes são um, outras são outro, mas não são facilmente definidos apenas pela sua descrição. Há necessidade de um entendimento maior dos mesmos para que se possa adjetivá-los desta forma.
Vejamos os exemplos. A morte? Fato ou problema?
Fato. Ela vai acontecer, quer você queira, quer não. Não há solução que evite que ela aconteça. É ruim? Não, é apenas um fato.
Ficar doente por conta do cigarro? Problema. Você foi imbecil o suficiente para permitir-se viciar e manter-se viciado em algo que, aplicando a lei do máximo, o máximo que faria era te matar, aos poucos, com alguma doença muito bizarra que te sugaria até o último suspiro.
Geralmente queremos que o fato vire problema e o problema vire fato. Tentar entender que um fato simplesmente é deve ser algo além da imaginação. É no sentido “ser” da coisa e não somente um verbo de ligação. É. Ele existe, acontece. Irremediavelmente acontece. O problema aparece como o desafiador de nossa capacidade psico-intelectual. Ele aparece para que aprendamos a lidar com as mais diferenciadas situações que a vida proporciona. Para que achemos, muitas vezes, que, de tão complicado, não tem solução. Problema aparece para que possamos crescer.
Tentamos resolver o fato e explicar o problema.
Somos seres humanos.
Fato ou problema?

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Poema para ela...

Impressionei-me.
Teu cheiro ultrapassou os limites de meu conhecimento.
Não me resguardei.
Foi tanto que não pude sequer lutar contra o desconhecido sentimento.
Senti de tudo.
Do cheiro ao desencanto.
Vivi o mais puro e possível amor.
Hoje navego.
Nas graças da memória. E nas farsas também.
Hoje em mim ainda mora.
Mora algum arrependimento. O de não ter me calado quando era necessário.
Guardar somente para ti os meus versos, meus encantos, meus beijos. Era necessário.
Porque agora eu sei que eram todos para você.
Porque agora esbarro na vulgaridade.
Porque agora ainda te amo. Por agora e por quanto for possível...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

E eu então?²

Em primeiro lugar, antes de escrever a crônica em si, gostaria de explicar o título.
Certa vez li um texto com o mesmo título, falando da mesma situação que estou prestes a falar. Não sou nenhuma plagiadora. Longe disso. É que amei o texto e infelizmente não consigo encontrá-lo em lugar algum. Era o tipo de texto que eu gostaria de ler periodicamente para nunca esquecer. Pena que com o tempo ele caiu no esquecimento. Então, eu peço encarecidamente que, se alguém ainda tiver esse texto, me avise.
Enfim... E eu então?
Já repararam como a dor do outro é sempre menor do que a nossa? Como nossos problemas são sempre mais problemáticos? Como as nossas escolhas são sempre mais difíceis? Como o que vivemos foi mais importante, mais especial, mais mágico?
Em muitos anos de busca interior eu pude notar que o outro sempre tem um problema menor porque tendenciosamente não ouvimos com desapego da nossa vida o que o outro está nos contando sobre a dele. Porque somos egoístas o suficiente para vivermos expondo nossos méritos e feridas sem nos importarmos com o que o outro tem a dizer. Sem nos importarmos com o tamanho da ferida alheia porque, em nossa distorcida visão, a nossa sempre vai ser a mais dolorida. Claro, nós sentimos apenas a nossa dor, não somos capazes de sentir a dor alheia, não é verdade?
Certa vez eu estava ao telefone com uma grandessíssima amiga e estávamos lamentando sobre problemas da vida. Em dado momento ela me cortou e falou: sabia que às vezes, e somente às vezes você deveria prestar mais atenção no que estamos falando para você e parar de falar da sua vida o tempo inteiro?
Juro, aquilo me chocou. Como assim? Eu não falo da minha vida o tempo inteiro. Sempre critiquei quem o fazia! Considerava as pessoas que agiam dessa forma seres desprezíveis, pessoas insuportáveis.
Continuamos a nossa conversa, apesar do meu estado parcial de choque. A partir desse momento prestei em cada palavra que eu proferia. Cada assunto que ela iniciava eu tinha uma história para contar. Cada dor, cada decepção, eu conseguia pensar num exemplo da minha vida para simplesmente tudo que ela dizia. E não é que ela estava coberta de razão?
Se pararmos para analisar, há conversas que são como verdadeiros duelos de sofrimento interior explanado.
Situação: dois amigos ao telefone:

- Serjão, to fudido cara, meu cartão veio R$ 1,500,00. Não sei como vou fazer pra pagar essa parada, amigo.
- Porra cara, tu acha que tu ta fudido por causa de R$ 1500,00? Isso é mole. Pior sou eu que tenho que pagar o cartão da minha esposa, da minha filha e do meu filho além de ter que aturar a chata da minha sogra esse mês todo aqui em casa.
- É cara, mas tua sogra pelo menos gosta de você, e a minha que vive enchendo a porra da minha bunda de macumba? Aquela velha é macumbeira, rapá!
- Macumba... macumba tu chuta, pior é alimentar a minha. Gorda do jeito que aquela vaca é, só ganhando um milhão.

Notaram? Quem está mais “fudido”?
Não há competições nesse caso, nem julgamentos. Cada um encara um problema da maneira que consegue encarar e isso não faz com que o o que um está vivendo seja mais fácil ou difícil de lidar. A dor é dela. Particular. E se ela está querendo dividi-lo com você, OUÇA. Apenas ouça. Não comente nada parecido que você tenha vivido. Ou comente ilustrativa e não comparativamente. E não espere que as tuas experiências sirvam de lupa para a verdade absoluta da vida. Não há verdade absoluta na vida. Talvez acordar às 6:00 da manhã para você seja um problema quase que insolúvel e seu amigo está reclamando que tem que dormir cedo porque vai acordar às 7:00. Mas já imaginou que para ele isso possa significar o pé na cabeça na beira do abismo? Você já parou para pensar um minuto sequer que o outro pensa de forma diferente de você e que as suas dores doem de maneira diferente dentro de vocês?
“E eu então?” é a arma dos que nada tem a dizer, mas precisam falar. Precisam falar qualquer coisa. Carência, medo, instabilidade emocional... O motivo realmente não me importa. Se me importasse eu estaria estudando psicologia, e não escrevendo textos. E o "E EU ENTÃO?" ainda faz com que o seu amigo que chegou carente e problemático para conversar com você se sinta a pior das criaturas, por que além de ter chegado ao nível de precisar desabafar para não explodir, ainda sai do papo com a nítida sensação de que ele é um idiota e sofre por motivos esdrúxulos. Não minimize a dor das pessoas. Procure apenas entender. E se você não tiver nada a dizer sobre o assunto, apenas ouça. Em muitos momentos ser os ouvidos que os outros precisam é muito mais valioso do que falar o tempo inteiro e nunca ter nada a dizer.

Demorou, mas acho que entendi o recado!

Eu sou chata, azeda, exigente. Gosto de regras. Aliás, preciso delas. Isso não significa que eu não as quebre vez ou outra. Me perco com mu...