segunda-feira, 19 de setembro de 2011

SENTIDO

Tem que fazer sentido. Todas as nossas escolhas e decisões devem fazer sentido para nós mesmos antes de fazer sentido para qualquer outra pessoa. Em se tratando de sentimentos, principalmente. O caminho que seguimos não precisa transformar nossa vida mais tortuosa e mais complicada do que ela é essencialmente. A vida já é complicada e tortuosa por si só. Um bom trabalho, uma casa legal, um bom relacionamento, bons amigos, aprender a lidar com as pessoas sendo elas da maneira que são, amar. É necessário muito esforço para nos sentirmos felizes, especialmente num lindo domingo ensolarado, à tarde, deitados num colchão na sala de estar de casa, assistindo televisão. Não por falta de oportunidade. Mas por vontade de assim estar.
Afastar o que não nos faz bem e permitir que o novo entre é uma decisão muito complicada. Porque as cicatrizes que o decorrer da vida deixa nos fazem criar uma capa protetora. Ficamos ressabiados, escaldados da maldade do outro, e muitas vezes até de nossas próprias maldades. Porque não somos vítimas da vida. Ora batemos, ora apanhamos. A diferença entre os dois é que geralmente valorizamos as porradas que tomamos para desmerecer os socos que oferecemos.
Eu decidi a felicidade. Eu decidi momentos felizes, um de cada vez, abrindo mão da felicidade que vivi. Tive amigos inesquecíveis, momentos memoráveis, amores eternos. Todos eles foram e estão sendo muito difíceis de deixar partir. Porque me apeguei ao que de bom vivi. E certamente o que vivi de bom ao lado de todas as pessoas que agora não fazem mais parte da minha vida foram os melhores momentos que eu poderia viver e certamente não gostaria de deixá-los passar. Jamais. E depois que eles passam você tem aquela nítida sensação de que aquilo era felicidade plena, e aí forma-se mais uma incurável cicatriz, ou impenetrável capa protetora.

Infelizmente esses momentos inesquecíveis me trouxeram uma a sensação que costumo chamar de “sensação da empadinha”. Não estou louca e nem sou uma gorda incurável. Apenas fiz uma analogia. Principalmente pra quem sofre de gastrite. Seguinte: empada é uma delícia – em especial a de queijo, minha favorita. Então, comemos a maravilhosa empada. No momento seguinte, sem você esperar, aquela delícia se transforma em uma azia quase que demoníaca, como se estivesse se formando dentro de você um vulcão em erupção. É exatamente o que eu quero dizer. Os momentos bons são as empadinhas. Não porque eles sempre nos trazem sensações ruins, mas porque nos apegamos tanto a eles que não enxergamos que, a qualquer momento podemos tomar um antiácido. E muitas vezes ele está na nossa frente e somos incapazes de enxergá-lo. Não porque não queremos. Mas porque não nos permitimos.
Perdoe o que for possível perdoar. E não se culpe por não conseguir encarar um amigo após uma mágoa. Talvez nem você e nem ele compreendam que toda amizade, toda relação há limites e aquela situação entre vocês simplesmente ultrapassou todos eles. Perdoe se for possível. É benéfico a você. Mas não se sinta obrigado a realocá-lo na sua vida. Talvez ele não caiba mais e o que você vai guardar de bom dele sejam memórias que te façam rir, mesmo que seja a de um porre que tenha te tirado de casa às 4 da manhã de domingo para segunda, desesperadamente preocupada por nada.

Essa é a vida. E eu adoro muito estar aprendendo sobre ela. E tomando antiácidos também.

domingo, 18 de setembro de 2011

Saudade é tanto, é quanto tempo
Saudade é imagem, saudade é momento
É passado presente, é lembrança do vento
É sorriso roubado, é memória-acalento

Saudade é sofrer o não ter e querer
Saudade é vontade de voltar no tempo
Fazer diferente, viver o igual
Reviver a memória, saudade é banal.

Saudade é história, é apartamento
Saudade é espaço, é um catavento
Que cata o vento e gira veloz
Saudade é a mudança de tudo em nós

Essas cores

Nossa, quantas cores!  Há tempos não as enxergava. Há tempos eu me permitira um daltonismo apático, bobo, inútil. Que cores lindas! ...